Barbosa, da Natura, diz que o Brasil não quebra, mas pode crescer pouco sem ajustar as contas
Ex-presidente do Santander Brasil e da Febraban, hoje no conselho da Natura, descarta risco de insolvência, mas alerta para crescimento baixo se o desequilíbrio fiscal persistir.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE TIMES BRASIL · 3 MIN

“O Brasil não quebra”. A frase é do presidente do conselho da Natura, Fábio Coletti Barbosa, em entrevista à BBC, segundo Times Brasil. Para ele, o país não tem risco de crise de insolvência sob o novo mandato de Lula. O diagnóstico, porém, vem com uma ressalva: a economia pode ficar presa a um crescimento baixo.
Barbosa conhece o sistema financeiro por dentro, tendo presidido o Santander Brasil e a Febraban. De acordo com Times Brasil, ele separa dois assuntos: a solidez do país, que associa às contas externas, à autonomia do Banco Central e a setores como petróleo, agricultura, energia e mineração, e a dinâmica fiscal, que pode frear a atividade.
O ponto central está no desequilíbrio das contas públicas. Segundo o executivo, se o país não enfrentar esse problema, pode continuar crescendo menos do que poderia. Ele descarta um colapso, mas o cenário que descreve é de expansão fraca, não de ruptura.
Barbosa aponta dois canais de pressão. O primeiro são os efeitos dos gastos públicos sobre a atividade. O segundo são os juros elevados, que também pesam sobre a economia. Na leitura dele, os dois fatores se somam e limitam o ritmo de crescimento.
O recado dialoga com a agenda de responsabilidade fiscal. A confiança depende de contas em ordem, e não apenas da solidez dos fundamentos externos. Vindo de um executivo do setor privado, o alerta reforça essa tese, embora a entrevista, conforme relatada, não detalhe medidas específicas.
O que está em jogo é a diferença entre evitar uma crise e voltar a crescer. Um país pode afastar o risco de colapso e, ainda assim, avançar pouco. É essa distinção que Barbosa coloca no centro do debate.
O que muda para o investidor
A mensagem reforça o peso da agenda fiscal na avaliação dos ativos brasileiros. Quando o risco de insolvência sai do radar, o foco tende a migrar para a capacidade de crescimento e para a trajetória dos juros, variáveis que influenciam bolsa, câmbio e renda fixa. O quadro descrito por Barbosa, de juros altos e atividade fraca, costuma pesar mais sobre empresas dependentes do mercado doméstico, enquanto companhias ligadas aos setores que ele cita como fundamentos podem reagir de forma diferente. Esta matéria não recomenda compra ou venda e não projeta preços. O ponto de atenção é acompanhar se a política fiscal avança, pois ela define o que o investidor precisa precificar nos próximos anos.


