Bradesco, Itaú e Santander elevam juros do financiamento imobiliário após alta dos juros futuros
Taxas sobem mesmo com a Selic em queda; títulos de 5 anos saltaram de 12,37% para 15,39% após as eleições, segundo o Investidor Sardinha
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INVESTIDOR SARDINHA · 3 MIN
Três dos maiores bancos privados do país, Bradesco, Itaú e Santander, anunciaram aumentos nas taxas do financiamento imobiliário nos últimos dias. O movimento encarece a compra da casa própria e ocorre mesmo com a Selic em trajetória de queda, segundo reportagem do G1 comentada pelo canal Investidor Sardinha.
Juntas, as três instituições responderam por cerca de 55% do valor financiado para aquisição de imóveis entre janeiro e setembro deste ano, de acordo com dados da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). A Caixa Econômica Federal, que lidera as contratações, não informou se vai reajustar suas taxas e alegou estar em período de silêncio antes da divulgação de balanço.
O que mudou nas taxas
No Bradesco, a taxa principal passou de 11,99% para 15% ao ano mais TR, e a do segmento private subiu de 11,70% para 13,60% mais TR. A nova tabela entrou em vigor na segunda-feira. O banco afirmou que atualizou as taxas máximas em função da alta dos juros de mercado e que as condições finais dependem da análise individual de cada cliente.
O Itaú reajustou para 12,95% ao ano a taxa mínima, a partir de quinta-feira. No segmento private, a taxa parte de 12,89%, e para não correntistas chega a 14,85%. O banco atribuiu o ajuste ao custo de captação de recursos no mercado. No Santander, a taxa de entrada foi de 11,69% para 12,49%, a menor alta entre os três, conforme a apresentação do canal.
Para a advogada Danielle Accamine, especialista em mercado imobiliário citada pelo G1, o tamanho do reajuste surpreende: ficou acima de 3 pontos percentuais ao ano para a maioria dos clientes. Segundo ela, isso pode encarecer bastante a parcela e reduzir o valor que a família consegue financiar, diminuindo o poder de compra.
Juros futuros e o crédito de longo prazo
Os bancos justificam o movimento pela alta dos juros futuros. O rendimento dos títulos brasileiros de 5 anos passou de 12,37% para 15,39% após as eleições, uma elevação superior a 2,5 pontos percentuais. Esses juros refletem as expectativas do mercado para as taxas nos próximos meses ou anos e oscilam conforme mudam as projeções para inflação, contas públicas e atividade econômica. Por isso, podem subir mesmo quando a Selic recua, o que ocorreu em setembro, na quinta redução consecutiva.
Como o financiamento imobiliário é um crédito de longo prazo, a instituição se protege com base nas curvas futuras, e não apenas na taxa básica do dia, explicou a especialista. O Itaú acrescentou que o produto depende de recursos captados no mercado, e por isso as oscilações afetam o custo da operação.
O apresentador Raul Sena observou que a reportagem não cita diretamente a eleição como causa da alta, embora ele associe o movimento ao período pós-eleitoral. Na avaliação dele, a Caixa dificilmente poderia operar na contramão do mercado e deve ajustar suas taxas após o período eleitoral.
O que isso significa
Segundo o apresentador, que afirma ter alertado ao longo do ano que a casa própria ficaria mais cara, a recomendação do canal é que quem ainda não formalizou o financiamento aguarde. Ele lembrou que propostas já aprovadas pelos bancos mantêm a validade por um prazo determinado, e que as taxas variam de banco para banco conforme o perfil do cliente.
Para o investidor, o episódio mostra como a percepção de risco fiscal e político se transmite à economia real: o custo do crédito de longo prazo responde às expectativas para inflação e contas públicas, não apenas à Selic corrente. A transcrição não traz projeções adicionais sobre bolsa, dólar ou o rumo futuro dos juros.






