Copom mantém a Selic em 13,75% e reacende o debate sobre juros, metas e contas públicas
Decisão unânime de 7 a 0 interrompe a sequência de cortes; para o canal Investidor Sardinha, o nó está na confiança fiscal, não no mercado financeiro
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INVESTIDOR SARDINHA · 4 MIN
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, por unanimidade (7 a 0), interrompendo a sequência de cortes iniciada depois que os juros ficaram em 15% de junho de 2025 a março de 2026. Pelo roteiro que vinha sendo seguido, a expectativa era de redução para 13,50%. Segundo o canal Investidor Sardinha, o mercado reagiu bem à decisão, ainda que a Petrobras atravesse um momento complicado.
Na avaliação do apresentador, a manutenção sinaliza que o Banco Central, presidido por Gabriel Galípolo, não embarcou na defesa de uma queda forçada dos juros, tese associada por ele a André Lara Rezende. Ele lembra que Galípolo foi indicado pelo presidente Lula em 28 de agosto de 2024, aprovado por 26 a 0 na Comissão de Assuntos Econômicos e por 66 a 5 no plenário do Senado, com mandato até 2028.
Inflação acima do teto e expectativas em alta
O pano de fundo é a inflação. A meta é de 3%, com teto de 4,5%, e o IPCA em 12 meses está em 4,58%. De acordo com os números citados no vídeo, a expectativa do mercado para 2026 passou de 4,9% em setembro para 5,2% em novembro; para 2027, de 4,3% para 4,8%. A projeção do Banco Central para 2028 subiu de 3,2% para 3,5%.
O apresentador questiona se vale manter uma meta que não é cumprida, argumentando que nenhum país desenvolvido tem conseguido atingir inflação nesse patamar, num contexto que inclui choque do petróleo e Estreito de Ormuz. Ele ressalta, porém, que os gastos do governo também extrapolaram, e lembra que a meta de 3% foi mantida por decreto de Lula em junho de 2024. Dois dos três votos que definem a meta, observa, são de ministros do governo.
O mercado quer juros altos?
Para Investidor Sardinha, é falsa a ideia de que o mercado financeiro se beneficia da Selic elevada. Ele cita que o Brasil tem hoje o maior juro real entre 40 economias, de 9,49%, contra média de 1,28%, e o quarto maior juro nominal. Também aponta 46 IPOs em 2021, nenhum entre 2022 e 2025 e apenas um em 2026, além de 54 empresas na fila, 2.466 pedidos de recuperação judicial e 9,2 milhões de empresas negativadas.
O canal sustenta que a reação dos preços responde às contas públicas. Segundo os dados apresentados, no dia seguinte ao primeiro turno o dólar caiu 4,4%, o juro futuro recuou 1,16 ponto e o Ibovespa subiu 7,7%. Após o segundo turno, o dólar teria saltado de R$ 4,99 para R$ 5,42, o juro futuro avançado 1,94 ponto e o Ibovespa futuro caído 14,8%, com perda de cerca de R$ 700 bilhões em valor de mercado. O juro futuro para 2029 foi de 12,22% em 9 de outubro para 15,04% em 4 de novembro.
Os riscos de cortar na marra
O apresentador recorre às experiências do Brasil e da Turquia para alertar contra a redução forçada. A Selic de 7,25% em outubro de 2012 foi seguida por inflação de 10,67% em 2015 e por juros de 14,25% em julho de 2015. Na Turquia, segundo ele, a inflação chegou a 85,5% em outubro de 2022 e a taxa básica precisou ir a 50%. Ele reconhece que a dívida turca é dolarizada, ao contrário da brasileira, e afirma que o custo recai sobre os mais pobres.
A dívida bruta, diz o canal, passou de 71,7% do PIB em dezembro de 2022 para 78,6% em 2025 e 82,9% em setembro de 2026. Cada ponto a menos na Selic reduziria o endividamento em R$ 63 bilhões. Na visão do apresentador, o caminho para juros menores passa por plano fiscal sólido, regras previsíveis e compromisso com a trajetória da dívida. Ele diz que a queda não se sustenta sem confiança e que o cenário não implica colapso da bolsa, mas uma fase final de um modelo que, em sua avaliação, levará a uma ruptura.


