Democratas assumem Câmara e Senado e abrem novo ciclo de impasse e investigações em Washington
Segundo a Fox Business, guerra impopular, preço da gasolina e baixa mobilização republicana explicam a virada; governo está financiado só até 11 de dezembro.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
Os democratas assumiram o controle da Câmara e do Senado nas eleições de meio de mandato, uma mudança de poder em Washington que, segundo a Fox Business, impõe ao presidente Donald Trump e aos republicanos um cenário de negociação forçada e fiscalização intensa. Na Câmara, a correspondente-chefe Chad Pergram afirmou que os democratas já somam 228 cadeiras e devem terminar com mais de 240.
A apuração no Senado ainda não está encerrada: segundo o canal, faltam definir os resultados do Alasca e do Mississippi, este último decidido por poucos votos. Pergram lembrou que o partido do presidente costuma perder cerca de 26 cadeiras em eleições desse tipo, e que a história trabalhou contra os republicanos.
O que pesou na derrota
Na análise de Pergram, o resultado combinou uma guerra impopular, o preço da gasolina, o fato de Trump não estar na cédula e a abstenção de eleitores republicanos. Candidatos considerados fracos do lado republicano também foram citados. Entre os derrotados estão Roger Marshall, no Kansas, e Richard Hudson, na Carolina do Norte, que presidia o esforço de reeleição republicano na Câmara. O canal citou ainda Derrick Van Orden, em Wisconsin, como parlamentar alinhado ao presidente em distrito disputado.
Os comentaristas do programa também apontaram derrotas ou sustos em estados republicanos tradicionais, como Texas e Carolina do Sul. Um deles disse que eleitores estão furiosos com os preços da gasolina e da alimentação e que, apesar de a economia ir bem na visão do presidente, as pessoas não sentem isso no bolso. Outro ressaltou que a guerra com o Irã começou no inverno, entrou em pausa na primavera e se arrastou até o verão, sem agradar a nenhum dos lados do governo.
Veto, orçamento e investigações
Pergram destacou que o desafio imediato é aritmético. Trump disse que usará a caneta do veto, mas que está pronto para negociar. Para derrubar um veto na Câmara, os democratas precisariam de cerca de 50 votos republicanos. No Senado, seriam necessários 67 votos, tarefa bem mais difícil.
O calendário fiscal, porém, pode forçar acordos rapidamente: segundo o correspondente, o governo está financiado apenas até 11 de dezembro. Os democratas prometem grandes investigações e devem usar intimações para apurar supostos casos de corrupção, ainda que tenham dificuldade em aprovar sua própria agenda, avaliou Pergram. O líder democrata Hakeem Jeffries deve ser o próximo presidente da Câmara, e a análise do canal é que os moderados de distritos disputados, e não os progressistas, deram a maioria ao partido.
Disputa interna republicana e o debate sobre a economia
Os republicanos escolhem sua liderança na semana que vem. Há apenas duas vagas na minoria, contra três na maioria. Mike Johnson disse que disputará a liderança da minoria, e Steve Scalise e Jim Jordan também sinalizaram candidatura. Jordan argumenta estar mais bem posicionado para enfrentar as investigações democratas.
O programa também discutiu o avanço da ala mais à esquerda do Partido Democrata, com propostas como Medicare para todos e o fim da agência de imigração ICE. Um dos comentaristas afirmou que os republicanos precisarão apresentar alternativas em saúde, citando alta de 13% nos planos do Obamacare, e disse que a pauta de data centers de inteligência artificial é sensível para eleitores. Segundo ele, quem tem investimentos em IA no plano de previdência também sente tarifas e custos de armazenamento.
Para o mercado, o recado do canal é de menor previsibilidade legislativa: um Congresso dividido tende a travar grandes projetos de impostos e gastos, enquanto o prazo de 11 de dezembro para o financiamento do governo e a trajetória da guerra e da gasolina seguem como pontos de atenção. A Fox Business ressaltou que ainda é preciso ver como o quadro evolui quando o conflito com o Irã terminar e se os preços cederem.


