Democratas devem assumir Câmara e Senado, e debate sobre impostos e agenda de Trump ganha força
Painel da Fox News discute o que a virada no Congresso significa para o presidente, para a pauta tributária e para a relação entre a Casa Branca e a oposição.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
Com a projeção de que os democratas assumirão o controle da Câmara e do Senado dos Estados Unidos, analistas da Fox News passaram a debater se a oposição estará disposta a negociar com o presidente Donald Trump ou se priorizará investigações e confrontos. A discussão foi exibida na cobertura "Fox News Democracy 26", segundo o canal.
A pergunta central foi colocada pelo apresentador Bret Baier: com números maiores no Congresso, os democratas estarão no clima de fechar acordos e eventualmente dar a Trump uma vitória, ao sancionar algo que eles mesmos aprovaram?
Para a comentarista Kellyanne Conway, a noite não representou uma vitória do Partido Democrata, e sim uma derrota dos republicanos. Ela afirmou que há uma "guerra civil" em gestação dentro do campo democrata, com uma ala que vai querer o impeachment do secretário Hegseth e investigações sobre criptomoedas e sobre a família Trump.
Pragmatismo contra confronto
Segundo Kellyanne, a ala mais pragmática do partido argumentará que as vitórias em locais onde a legenda não vencia há décadas (ela citou 1932 em alguns casos e 1994 no Texas) só serão preservadas se houver cooperação com o presidente, em temas como saúde. Ela avaliou que será um teste real de liderança para Chuck Schumer e Hakeem Jeffries.
Kellyanne também previu um esforço democrata para aumentar impostos sobre os mais ricos e redistribuir recursos, sob o argumento de que alguns têm dinheiro demais enquanto outros não conseguem pagar por uma casa.
Imposto sobre grandes fortunas no radar
A apresentadora Dana Perino lembrou que havia um imposto sobre a riqueza em votação na Califórnia, cujos resultados ela disse não ter em mãos. Na avaliação dela, a "lei da economia" faz com que esse tipo de tributo não alcance os objetivos pretendidos, mas ele tende a ser popular. Ela previu que a primeira pergunta do debate das primárias democratas será quem apoia um imposto único sobre todos os bilionários.
Perino também comparou a noite a 2006, quando George W. Bush perdeu as eleições legislativas e a atenção da mídia migrou da Casa Branca para o Capitólio. Ela disse que Trump, mesmo descartando mudanças no gabinete, precisará de algo que mude a conversa, e que ainda contará com o "púlpito" presidencial para isso.
O precedente de 1994 e as saídas apontadas
Outro participante do painel traçou um paralelo com Bill Clinton em 1994. Segundo ele, depois daquela derrota, Clinton sancionou a reforma do bem-estar social, a lei de telecomunicações, a HIPAA e o único orçamento equilibrado dos últimos 32 anos. Ele citou ainda Ronald Reagan e a reforma da Previdência.
O painelista sugeriu que Trump poderia fechar acordos com os democratas em áreas como educação, inteligência artificial e imigração. Entre as ideias lançadas estava tornar isento de imposto os primeiros US$ 50 mil de renda, até US$ 150 mil, e dar continuidade às contas Trump. Sobre imigração, outro integrante afirmou que o tema poderia consolidar o legado do presidente, lembrando que "só Nixon poderia ir à China".
O que observar
Todas as avaliações são opiniões dos participantes do painel da Fox News, e a transcrição não traz dados sobre o tamanho das maiorias. Para o investidor, o ponto a acompanhar é se o Congresso dividido produzirá acordos ou impasse, e qual será o rumo da pauta tributária, hoje dominada pela discussão sobre taxar os mais ricos. Segundo o relato do canal, Trump cumprimentou os adversários pela vitória, e o painel concluiu que a noite deve servir de lição de humildade a ambos os lados.


