Democratas ganham o Congresso e abrem brecha para países que questionam tarifas de Trump
Democratas assumem maioria no Senado e na Câmara, e analistas veem espaço para outros países resistirem às tarifas americanas.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 3 MIN

Os eleitores dos Estados Unidos deram aos democratas o controle do Congresso na disputa legislativa de metade do mandato presidencial, realizada na terça-feira (3/11). Segundo a Reuters, o partido conquistou maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, um revés político para o presidente Donald Trump.
Conforme a InfoMoney, a interpretação dominante é que o público castigou o governo, principalmente pelas tarifas e pelo confronto militar com o Irã, apontados como responsáveis pela inflação persistente. Trump assumiu o governo com a promessa de reabrir vagas de trabalho, reforçar o setor industrial e elevar a qualidade de vida da população, e o resultado agora será cobrado com base nessa promessa.
Ana Carolina Marson, que leciona Relações Internacionais na FESPSP, avalia que tarifas e o confronto com o Irã encareceram a vida e ampliaram o descontentamento com o governo. Ela abordou o tema no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, ao discutir a disputa legislativa de metade do mandato nos Estados Unidos.
Fora das fronteiras americanas, o efeito pode ser outro. A Reuters avalia que a derrota pode encorajar outros países a resistir às tarifas de Trump, o que daria ao revés doméstico do presidente um peso adicional nas negociações comerciais.
No caso do Brasil, o Times Brasil trata a vitória democrata como um cenário ainda não confirmado, capaz de alterar a política econômica americana e as relações comerciais com o país. O economista Roberto Giannetti da Fonseca, especialista em comércio exterior, avaliou que uma maioria de oposição no Legislativo tende a vigiar as decisões internacionais e a pauta de protecionismo do governo americano.
O que está em jogo agora é quanto espaço o Congresso terá para frear ou moldar a agenda comercial do governo, num momento em que o custo de vida se tornou o principal termômetro da insatisfação com a gestão.
O que muda para o investidor
Para quem investe e opera, o ponto central é a previsibilidade. Se o Congresso de oposição conseguir fiscalizar o protecionismo da Casa Branca, o ritmo de novas tarifas pode ser reduzido ou reconfigurado, embora esse efeito dependa de como o tema evoluir. Como as tarifas aparecem entre as causas da inflação apontadas pelos eleitores, a discussão comercial também se liga ao custo de vida e, por consequência, às decisões de juros e ao comportamento do dólar. Empresas expostas ao comércio exterior, inclusive as brasileiras, tendem a acompanhar de perto qualquer mudança nessa agenda. Esta reportagem não traz recomendação de compra ou venda e não projeta cotações.



