Ajuste fiscal de Lula 4 esbarra no agro e na resistência da própria base do governo
Menos de uma semana após a reeleição, governo discute limites para as contas, Moody's vê Selic alta por mais tempo e agro entra na mira de tributos.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE MONEY TIMES · 3 MIN

Menos de uma semana após a reeleição de Lula no segundo turno, o governo e o PT já traçam os limites de um ajuste fiscal para o quarto mandato, segundo o Money Times. A discussão ganha contornos sensíveis porque envolve o agronegócio, setor que deve colher uma supersafra e que já aparece como possível alvo de novos impostos.
Uma coluna do próprio Money Times lembra que a Conab estima uma supersafra 2026/27 de cerca de 367 milhões de toneladas de grãos. No mesmo texto, o colunista afirma que o governo já se movimenta para aumentar a tributação sobre os produtores, com o agro citado como alvo. O choque entre a expansão da produção e a busca por receita está no centro do debate.
As declarações dentro do governo não convergem. Segundo o Money Times, o ministro José Guimarães disse, dois dias após a virada, que o ajuste fiscal não foi discutido nem está sendo discutido. Já o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral, defendeu em rede social, na quinta-feira, um ajuste feito apenas com corte de emendas parlamentares e de benefícios tributários. A mesma cobertura aponta resistência da própria base do governo para conter o avanço da dívida pública.
Do lado de fora, a Moody's acende um alerta. De acordo com a Exame, a agência avalia que a Selic deve permanecer alta por mais tempo se o governo Lula não avançar com o ajuste fiscal. A projeção é de continuidade da política econômica atual no quarto mandato, com mudanças graduais nas contas públicas.
Sem reformas, a Moody's vê risco de a dívida pública subir, de os investimentos ficarem pressionados e de o crescimento econômico ser dificultado, conforme a Exame. O quadro desenha um dilema: cortar emendas e benefícios tributários, como defende Boulos, ou elevar impostos sobre o agro, como sinaliza a coluna, produzem efeitos distintos sobre a economia.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha bolsa, juros e dólar, o cenário combina duas variáveis. Juros altos por mais tempo, cenário que a Moody's associa à ausência de ajuste, mantêm o custo do crédito elevado e costumam pesar sobre as ações, sobretudo de empresas mais endividadas. Já uma alta de tributos sobre o agro reduziria a margem de produtores e de empresas da cadeia, e o desenho final dessa medida ainda não aparece nas fontes consultadas. Vale acompanhar as declarações da equipe econômica e a forma que qualquer proposta assumir, pois são eles que vão determinar o tamanho do impacto.







