Aliado de Flávio Bolsonaro culpa ChatGPT por carta que se dizia “presidente eleito”
Paulo Figueiredo diz que a ferramenta redigiu o texto publicado pelo senador, que trocou a expressão na versão revisada cerca de uma hora depois.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE MONEY TIMES · 3 MIN

Um aliado próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL) atribuiu ao ChatGPT o texto de uma carta publicada pelo ex-candidato que se apresentava como “presidente eleito” do Brasil. Segundo o Money Times, a afirmação foi feita por Paulo Figueiredo na quinta-feira (29/10), e o episódio virou um constrangimento público para o grupo político em plena disputa sobre o resultado das urnas.
De acordo com a mesma reportagem, Figueiredo afirmou que a ferramenta de inteligência artificial escreveu o trecho da carta. O problema é que a expressão contraria o resultado do segundo turno, vencido por Lula por mais de 4 milhões de votos, sendo a derrota de Flávio confirmada nas urnas.
O caso ocorre em um momento de tensão. Na quarta-feira (28/10), Flávio alegou fraudes na votação do segundo turno, realizado no domingo anterior, sem apresentar provas. A carta com o título equivocado foi publicada nesse contexto.
Cerca de uma hora após publicar a carta, Flávio a excluiu e postou uma versão revisada. Nela, a expressão “presidente eleito” foi trocada por “líder do Brasil”, segundo o Money Times.
Mesmo com a correção, o senador afirmou que o erro não alterou sua visão de que a eleição foi ilegítima, de acordo com a reportagem. A declaração mantém a discussão sobre a lisura do pleito no centro do debate, e não apenas a falha de redação.
Para quem acompanha a agenda econômica, o ponto relevante não é o uso da ferramenta, e sim a insistência em contestar o resultado sem apresentar provas. Um país que depende de previsibilidade nas regras do jogo precisa que as contestações eleitorais sejam tratadas nas instâncias adequadas, e não em publicações nas redes.
O que muda para o investidor
Questionamentos sobre a legitimidade de uma eleição costumam aumentar a percepção de risco institucional, e investidores tendem a olhar com cautela para ativos ligados ao câmbio e aos juros quando o ambiente político fica mais ruidoso. Até agora, o caso aparece como um episódio de desgaste de imagem, sem efeito concreto sobre a condução da política econômica. O que deve ser observado é se a contestação avança para ações institucionais e se a agenda fiscal do próximo governo ganha clareza, porque é isso que sustenta a confiança de quem investe no país.


