Governo aguarda proposta dos EUA sobre tarifas enquanto Groenlândia ratifica acordo de segurança
Washington deve enviar um esboço de acordo em até quatro semanas, e o Parlamento da Groenlândia aprovou pacto de defesa com EUA e Dinamarca.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 3 MIN

De acordo com o InfoMoney, Márcio Elias Rosa, titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), declarou que Brasília espera até a semana que vem uma sinalização de Washington sobre taxas de importação. Já o esboço de um acordo, também segundo o veículo, foi prometido pelos americanos em até quatro semanas.
A reunião foi realizada no dia 30 de setembro, na cidade de Milwaukee, nos Estados Unidos, e coincidiu com o encontro dos chefes das pastas de comércio do G20. Na ocasião, o chanceler Mauro Vieira e Elias Rosa se reuniram com Jamieson Greer, à frente do USTR, o escritório de comércio americano.
Já a Gazeta do Povo informa que, nesse intervalo, o governo brasileiro teve diálogos de caráter informal com Washington, sem divulgar o conteúdo dessas conversas. A mesma reportagem não traz valores nem prazos adicionais para a proposta sobre tarifas, descrita apenas como esperada para a semana seguinte.
No mesmo período, o Parlamento da Groenlândia ratificou o acordo de segurança firmado por Estados Unidos, Dinamarca e a ilha, por 16 votos a favor e 7 abstenções. Em Nova York, no dia 22 de setembro, o acordo recebeu as assinaturas de Donald Trump, da chefe de governo dinamarquesa Mette Frederiksen e do premiê da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen.
Conforme a Revista Oeste, o acordo expande o espaço que as forças dos EUA ocupam na ilha, mantém a soberania da Dinamarca e o direito dos groenlandeses de decidir o próprio destino, e revisa as regras de defesa conjunta, concentrando-se na proteção do Ártico e do Atlântico Norte. Segundo o mesmo veículo, a aprovação torna mais realistas novas bases militares americanas na região, em um movimento que surge após meses de insistência de Trump, que vinha defendendo de forma reiterada a anexação do território. Oficialmente, a meta é preservar a autonomia groenlandesa com a Dinamarca no comando. A Groenlândia goza de semiautonomia e pertence a um país aliado da Otan.
O que está em jogo é a combinação de dois temas que correm em paralelo na agenda americana: comércio e segurança. Para quem produz e investe, a previsibilidade das regras comerciais costuma pesar mais do que o anúncio de intenções, e é justamente essa previsibilidade que ainda falta nas tarifas.
Reflexos para quem aplica dinheiro no mercado
Enquanto a proposta americana não chega, a principal fonte de incerteza para exportadoras e empresas com receita ligada aos Estados Unidos continua sendo a ausência de números. Sem valores ou prazos definidos, é razoável que o mercado aguarde antes de reavaliar cenários. O acordo sobre a Groenlândia tem efeito mais indireto, pois trata de defesa e presença militar e, nos fatos apurados, não traz consequências sobre tarifas ou preços. O ponto a acompanhar é se o esboço de acordo comercial chegará dentro das quatro semanas previstas e se trará tarifas específicas, pois isso definirá a dimensão de uma eventual mudança de cenário.

