Preços na Europa avançam a 4% e reforçam aposta em alta de juros do BCE
Dado preliminar de outubro pressiona o BCE, que mantém a taxa em 2,5%, e o mercado precifica mais de 72% de chance de alta em dezembro
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE CNBC · 3 MIN

Em outubro, os preços ao consumidor da zona do euro voltaram a acelerar e alcançaram 4%, a leitura mais alta em 36 meses, segundo estimativa preliminar divulgada na quarta-feira e citada pela CNBC. Em setembro, o índice havia ficado em 3,8%, leitura em linha com a projeção de economistas consultados pela Reuters. O dado chega depois de o Banco Central Europeu (BCE) elevar a taxa-chave em 25 pontos-base, em setembro.
A energia foi o principal motor dessa escalada: no mês, o componente subiu 20,8%, contra 18,9% em setembro. Segundo a emissora, o avanço segue a trajetória iniciada com a guerra no Irã, conflito que vem empurrando as cotações desde então. Como o continente depende de compras externas de energia, a região fica vulnerável a choques originados fora dela. Desde 2023, quando chegou a 4,3% em setembro, o índice não voltava a 4% ou mais.
A situação varia bastante de um país para outro. Pelos dados citados pela CNBC, a Lituânia liderou a alta entre as 21 economias do bloco, com 6,1%, e Malta ficou na ponta oposta, com 2,3%. Nenhum deles fica abaixo da referência de 2% perseguida pelo BCE. Mesmo assim, autoridades dizem que o núcleo da inflação e os salários seguem em grande parte estáveis. A tensão, portanto, opõe a pressão vinda da energia à calmaria do núcleo.
No campo monetário, o Banco Central Europeu deixou os juros em 2,5% em outubro, logo após a elevação de setembro. Até a divulgação, investidores apostavam em 71,8% de probabilidade de aumento em dezembro; depois do dado, essa chance subiu para 72%, segundo o mesmo canal. A instabilidade no mercado de títulos da França, na leitura de Mertens, analista da Validus Risk Management, limita a margem de manobra do BCE. Já o retorno do Bund alemão com prazo de dez anos avançou de forma discreta.
A moeda europeia ganhou 0,6% frente ao dólar logo cedo na quarta-feira, período em que a americana perdia terreno para uma cesta de divisas enquanto as urnas das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos eram apuradas, segundo a CNBC.
No Reino Unido, a Bloomberg informa que a trajetória dos juros do Banco da Inglaterra divide traders e economistas antes da alta esperada. Na mesma agenda, a AB Foods, controladora da Primark, divulga resultados, também segundo a Bloomberg.
Impacto para quem investe
Quem segue juros, dólar e bolsa deve notar que a inflação mais alta fortalece a expectativa de taxas maiores na Europa. Esse cenário costuma pesar sobre ativos de risco e sobre títulos de prazo mais longo, já que o rendimento sobe quando o preço cai. O avanço do euro e a alta discreta do Bund, porém, indicam que o mercado ainda reage com cautela. Os pontos de atenção são a evolução do núcleo da inflação, o comportamento dos salários e o mercado de títulos franceses, que entrou no radar dos analistas. A leitura aqui é de cenário, sem recomendação de compra ou venda e sem projeção de preços.


