Kapitalo projeta dinheiro caro por período longo e vê o BC sem margem para reduzir a taxa
Gestora revisou para pior o cenário econômico após a eleição presidencial e aumentou a aposta em aplicações lá fora, segundo InfoMoney.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 2 MIN

A gestora Kapitalo Investimentos, considerada um dos grandes nomes independentes do mercado nacional, passou a trabalhar com a hipótese de juros elevados por um período prolongado no Brasil. Segundo InfoMoney, a casa não enxerga margem para que o Banco Central reduza os juros no cenário atual. A informação foi dada por Bernardo Feijó, diretor operacional da Kapitalo.
Essa leitura vem acompanhada de uma revisão para baixo do quadro econômico. De acordo com a mesma reportagem, após o resultado da eleição presidencial, a Kapitalo rebaixou suas estimativas para o desempenho do país. Somadas, as duas leituras indicam que o dinheiro deve continuar caro por mais tempo.
Feijó condensou a perspectiva em três pontos: os juros devem seguir altos no país, o BC não teria condições de cortá-los e esse patamar tende a se estender por um intervalo longo. Paralelamente, a gestora deu mais peso às aplicações fora do país, buscando alternativas além das fronteiras.
No mesmo período, o debate sobre a política monetária ganhou outro capítulo. Segundo o Estadão, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, avaliou que a sugestão de André Lara Resende para pôr um teto nos juros ainda é embrionária e apresenta falhas. Lara Resende, que ajudou a controlar a hiperinflação no Brasil, defende testar a política monetária tradicional.
O choque de posições importa porque mexe com a expectativa sobre o custo do dinheiro. Quando a discussão sobre a condução dos juros se divide entre cortes adiados e propostas de mudança de regra, a precificação de ativos de renda fixa e variável tende a refletir essa incerteza.
O que muda para o investidor
Para quem opera bolsa, Nasdaq, juros e dólar, o cenário descrito pela Kapitalo sugere que a taxa de juros pode seguir elevada por mais tempo, o que mantém atraente a renda fixa e encarece o crédito para empresas e famílias. Ações de crescimento, muito presentes na Nasdaq, costumam ser mais sensíveis a juros altos por longos períodos, porque seus lucros estão mais distantes no tempo. A ampliação do foco no exterior mostra que a gestora busca diversificação fora do país. Esta matéria não traz recomendação de compra ou venda nem previsão de preços; cada leitor deve avaliar o próprio perfil de risco.


