Menos água, mais energia: o dilema do resfriamento dos data centers de IA
Segundo a CNBC Television, resfriar chips de inteligência artificial exige muita água ou muita eletricidade, e a pressão local contra os projetos cresce nos EUA.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE CNBC TELEVISION · 3 MIN
Resfriar os chips que movem a inteligência artificial exige, hoje, uma grande quantidade de água ou de eletricidade, e quanto menos água um data center consome, mais energia ele precisa. A conclusão é de uma reportagem da CNBC Television, que visitou instalações nos Estados Unidos e ouviu pesquisadores sobre o tema.
O dilema alimenta uma reação crescente nas comunidades americanas. Segundo a reportagem, 71% dos entrevistados disseram que se opõem à construção de um data center em sua região, e líderes locais e estaduais têm suspendido novos projetos. A descrição do vídeo afirma que eleitores aprovaram 40 medidas que limitam esses empreendimentos. Moradores reclamam do aumento nas tarifas de água e de luz.
Os maiores data centers podem consumir até 5 milhões de galões por dia, o equivalente ao uso de uma cidade de até 50 mil habitantes, segundo a CNBC. Para um site de 1 gigawatt, como o da Meta em Lebanon, no estado de Indiana, o pico chega a 8 milhões de galões. A reportagem lembra que há mais de 2 mil novos data centers planejados, além de quase 1,4 mil em operação.
Onde a água é de fato usada
Dentro dos servidores, o circuito de refrigeração líquida é fechado: uma vez cheio, não consome mais água. Sistemas como o Grace Blackwell, da Nvidia, e o Helios, da AMD, foram projetados para refrigeração totalmente líquida. A água é cerca de 3 mil vezes mais eficaz que o ar para retirar calor, o que permite maior densidade de chips no mesmo espaço.
O consumo aparece na etapa seguinte, quando o calor precisa ser expulso do prédio. Segundo a reportagem, grandes empresas costumam anunciar consumo zero de água durante boa parte do ano sem contabilizar essa fase. O resfriamento a seco, com ventiladores, usa pouca água, mas exige unidades de ar-condicionado em dias quentes, o que pressiona a rede elétrica no verão. O evaporativo é o mais intensivo em água. Os métodos híbridos tentam equilibrar os dois.
Números das empresas
A Equinix, que aluga espaço para clientes como a startup Alembic, informou que suas operações globais consumiram 1,2 bilhão de galões em 2025, alta de 10% sobre 2024. Em Memphis, o complexo Colossus, da SpaceXAI, tem autorização para até 1,28 milhão de galões por dia e, segundo relatos citados pela CNBC, usa em média 800 mil. A estação de tratamento prometida por Elon Musk para reciclar esgoto municipal está com a obra parada.
No mercado, a CoolIT, fornecedora de equipamentos de refrigeração líquida para Nvidia e AMD, foi adquirida pela Ecolab por US$ 4,75 bilhões em julho. Segundo a reportagem, os novos data centers responderão pela maior parte do aumento projetado da demanda por eletricidade na próxima década, e big techs constroem usinas próprias, que também consomem água.
Chips que esquentam menos
A saída em estudo passa por processadores mais frios. A sul-coreana DeepX afirma que seu chip de baixo consumo não derrete manteiga em um teste, e a SK Hynix desenvolve memória que, segundo a empresa, reduz em 30% a resistência térmica. A CoolIT trabalha para levar o líquido ainda mais perto do chip. Para a Equinix, as comunidades "rightly" questionam o setor, mas os data centers cumprem função crítica para a sociedade moderna.


