mercado pressiona o planalto, mas lula adia corte de gastos e foca em viagens
reunião ministerial no alvorada termina sem novas medidas fiscais e deixa o mercado em alerta com as contas públicas.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE GAZETA DO POVO · 2 MIN

A equipe econômica do governo se reuniu nesta quinta-feira (5) no Palácio do Alvorada, em Brasília, após forte pressão do mercado financeiro. Segundo a Gazeta do Povo, o encontro convocado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva contou com a presença de Dario Durigan, Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Guido Mantega, além de outros ministros e economistas.
Apesar das cobranças por austeridade, o governo frustrou as expectativas de ajuste. De acordo com a Gazeta do Povo, Dario Durigan declarou após o encontro que "não discutimos medidas específicas". A avaliação de novas ações na área fiscal foi adiada para depois do retorno de Lula da COP31 na Turquia.
O cenário fiscal preocupa analistas diante do custo potencial do pacote de campanha de Lula, estimado em R$ 300 bilhões segundo a IFI, e da dívida bruta do governo geral, que alcançou 82,9% do PIB conforme dados do Estadão. A falta de trafrego nos gastos ocorre em um momento de descontrole inflacionário, com o Boletim Focus da última terça-feira (3) apontando o IPCA de 2026 estimado em 5,22%, acima do teto de 4,5%.
Os indicadores da economia real também pressionam o ambiente de negócios. A produção industrial de setembro registrou recuo de 0,8%, acumulando uma perda de 4,1% desde maio segundo a Gazeta do Povo. No cenário monetário, o Copom manteve a Selic em 13,75% na quarta-feira (4), enquanto a Bolsa acumula saída de capital estrangeiro de R$ 8,4 bilhões desde a reeleição.
O que muda para o investidor
A hesitação do governo em apresentar um plano concreto de contenção de despesas mantém o prêmio de risco elevado na curva de juros e pressiona o câmbio. Para quem opera na bolsa e nos mercados futuros, a indefinição fiscal combinada com a inflação projetada acima da meta exige cautela redobrada com a volatilidade dos ativos brasileiros e com a precificação de longo prazo.

