Trump vê acordo com o Irã como possível e petróleo recua com otimismo nas negociações
Bolsas europeias avançam no primeiro pregão do mês e o Brent chegou a cair quase 8%, mas Trump ainda fala em novas medidas militares.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE EXAME · 3 MIN

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira, 2 de novembro, que um acordo com o Irã « pode acontecer », segundo o Exame. A declaração veio depois de Teerã revelar negociações indiretas com Washington, e o efeito foi imediato nos mercados: a Europa abriu a semana e o mês em alta, enquanto o petróleo recuou com força.
Na Europa, o Stoxx 600 subiu 0,45%, aos 649,65 pontos, segundo o Money Times. Na Alemanha, o DAX avançou 0,64%, aos 25.982,87 pontos. Em Londres, o FTSE 100 ganhou 0,29%, a 10.761,33 pontos, e em Paris o CAC 40 subiu 0,98%, para 8.047,69 pontos.
No petróleo, o Brent com contratos de janeiro de 2027 chegou a cair quase 8%, com o barril perto de US$ 104, de acordo com o Money Times. A mesma fonte atribui o movimento ao otimismo com a resolução do conflito entre EUA e Irã e à normalização dos fluxos de petróleo. Ou seja, o preço do barril passou a refletir a expectativa de que a guerra caminhe para uma solução.
O tom do próprio Trump, porém, está longe de um desfecho. No podcast Pod Force One, segundo o InfoMoney, ele afirmou que os EUA ainda não encerraram a guerra contra o Irã e que Teerã quer fazer um acordo, mas que ainda é preciso ver. Trump também disse que o Irã não pode ter armas nucleares. O Times Brasil relatou que ele não descartou novas medidas militares e que as operações não foram concluídas, embora Teerã queira seguir negociando.
Entre as declarações, Trump afirmou que os EUA atingiram o Irã com força e derrubaram dois regimes iranianos, segundo o InfoMoney. Ele também alegou que os estoques de petróleo estão acima do nível pré-guerra e defendeu os mercados acionários e a economia americana. O InfoMoney lembrou ainda que o Estreito de Ormuz está fechado no contexto do conflito, ponto que pesa diretamente sobre o fluxo de petróleo.
O que está em jogo vai além da retórica. Um acordo que reabra o fluxo de petróleo tende a reduzir o prêmio de risco embutido no barril, enquanto uma escalada militar faria o movimento se inverter. Os números de hoje mostram o mercado apostando na primeira hipótese, com o próprio Trump mantendo a opção militar na mesa.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha bolsa, Nasdaq, juros e dólar, o episódio mostra como a geopolítica chega aos ativos pelo petróleo. Se as negociações avançarem e o fluxo de energia se normalizar, a pressão sobre custos e inflação pode diminuir, o que, em tese, pode aliviar as expectativas para os juros e a leitura das bolsas. O caminho inverso também existe: novas ações militares devolveriam o prêmio ao barril e reabririam a incerteza. Por ora, as declarações mudam em poucas horas, e vale acompanhar os próximos sinais de Washington e o movimento no Estreito de Ormuz sem tomar nenhum dos dois cenários como certo.



