Bolsa recua 17,5% após reeleição de Lula, mas analista vê fim de aposta eleitoral, não colapso do Brasil
Segundo o canal Investidor Sardinha, Ibovespa voltou ao nível de agosto, quando a reeleição já era precificada; a dívida pública é o risco real
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INVESTIDOR SARDINHA · 3 MIN
O Ibovespa acumula queda de 17,5% desde o segundo turno, após a reeleição de Lula, e o dólar saltou de R$ 4,99 para R$ 5,41, com a maior alta diária desde 2003. Para o canal Investidor Sardinha, porém, o movimento não indica o fim do Brasil, mas o desmonte de uma aposta que durou cerca de três semanas: o chamado "trade Flávio".
Os números do dia 26 de outubro dão a dimensão do choque. Segundo o apresentador, o Ibovespa chegou a cair 13,9% e acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe os negócios quando a queda supera 10%. O risco-país subiu de 120 para 152 pontos. Os estrangeiros, que haviam colocado cerca de R$ 10 bilhões na bolsa após o primeiro turno, retiraram R$ 2,85 bilhões no dia seguinte à votação, e a saída somou R$ 6,8 bilhões nos dias 22, 23 e 26 de outubro.
Uma aposta desfeita
Na leitura do apresentador, o mercado passou a tratar como certa a vitória de Flávio Bolsonaro depois do primeiro turno, e o índice foi de 192 mil para 207 mil pontos. Agora está em 169 mil, cerca de 12% abaixo do nível da véspera do primeiro turno. Ele observa que, em 20 de agosto, quando Lula liderava as pesquisas por 48% a 39% e a reeleição já estava precificada, o índice estava em 167 mil pontos. O dólar, nessa data, valia R$ 5,18.
Segundo o canal, as empresas e seus balanços não mudaram, já que os resultados são divulgados a cada trimestre. O que mudou foi o preço pago por elas. A relação preço sobre lucro do Ibovespa passou de 10,5 para 10,1 vezes, cerca de 10% abaixo da média histórica, e a relação entre preço e valor patrimonial caiu de 2,6 vezes, na máxima, para 2,1 vezes. O lucro agregado das empresas cresceu 30% no segundo trimestre de 2026, e o dividend yield ponderado do índice é de 6,1%.
As perdas foram desiguais. Entre as maiores quedas de 26 de outubro estiveram Cirela (44,8%), Vivara (27,8%), Natura (25,2%) e Eneva (15,3%), papéis ligados a varejo e consumo, mais sensíveis a juros altos. Subiram empresas exportadoras, com receita em dólar: Gerdau (5,7%), WEG (5,3%), Embraer (5,3%) e Suzano (4%). Para o apresentador, trata-se de "reprecificação", não de colapso.
O risco que permanece
O apresentador ressalta que o Brasil não está livre de problemas. A dívida bruta equivale a 82,9% do PIB e, segundo ele, deve continuar subindo. Até agosto, o governo pagou R$ 1,18 trilhão em juros, o equivalente a 8,86% do PIB. A dívida bruta do governo federal somou R$ 11,1 trilhões em setembro. "O risco existe, ele tem nome, é dívida pública", afirmou.
No cenário macroeconômico, ele citou desemprego de 5,3%, inflação de 4,58% (dentro da tolerância da meta, mas com perspectiva de piora), Selic de 13,75% após cinco cortes seguidos desde março e crescimento previsto de 2,2% do PIB pelo FMI. O risco-país brasileiro, de 152 pontos, compara-se a 560 da Argentina, 94 do México e 35 dos Estados Unidos.
Sobre o ministério da Economia, o apresentador relatou que, em conversas reservadas no mercado, o nome de Fonteles, cotado por Lula, é visto com menos temor por ser considerado fiscalista. Segundo ele, o mercado o enxerga como o "menos pior" dentro do cenário.
O canal também apontou que, no ano, o Ibovespa ainda acumula alta de 4,45%. Em eleições anteriores, a bolsa teve tombo na primeira semana de pregão e recuperação na seguinte, mas o apresentador diz não saber se isso se repetirá, e ressalta que as quedas desta vez são bem maiores.







