Direita discute alternativa a Bolsonaro para 2030, e Tarcísio entra no radar após reeleição de Lula
Em debate no PrimoCast, analistas veem lealdade do governador de São Paulo à família Bolsonaro e apontam desgaste da imagem da direita
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE O PRIMO RICO · 2 MIN
Com a reeleição de Lula como pano de fundo, analistas convidados do PrimoCast, programa do canal O Primo Rico, discutiram se o governador Tarcísio de Freitas poderia surgir como alternativa à família Bolsonaro na direita em uma próxima eleição. A avaliação predominante no debate foi de que isso é improvável, dada a gratidão do político ao ex-presidente.
Segundo os participantes, Tarcísio deve muito a Jair Bolsonaro, que, nas palavras de um dos analistas, o "botou no mapa". Por isso, na visão do grupo, ele dificilmente se colocaria como opositor da família. A conversa teve tom de descontração: os apresentadores brincaram com a hipótese de o governador acompanhar de perto as discussões sobre o próximo nome da chapa e aceitar o convite apenas se fosse chamado.
Outro analista ponderou que o desfecho dependerá de como a popularidade da família Bolsonaro evoluirá ao longo dos próximos quatro anos. Para ele, o grupo dificilmente abrirá mão do protagonismo na direita, e a tendência é que não queira "largar esse osso".
O custo de atrelar a direita a um único projeto
Um dos convidados, que se declarou mais à direita, relembrou a reflexão que fez em 2018, quando Bolsonaro cresceu impulsionado pelo antipetismo. Na ocasião, segundo ele, havia uma oportunidade de mudança, mas também o risco de a imagem da direita ficar associada ao eventual fracasso do governo.
Na avaliação do analista, esse risco se concretizou. Hoje, afirmou, quem se declara de direita sente vergonha de dizer isso publicamente, por medo de ser alvo de ataques e de uma série de adjetivos.
Daí, segundo ele, a demanda por alternativas: a direita moderada e o centro-direita teriam muita gente interessada em uma opção diferente. O analista disse enxergar uma queda de popularidade "contratada" para o bolsonarismo, mas ponderou que o cenário de 2030 ainda é incerto.
O que isso significa para o investidor
O debate foi político e não tratou diretamente de bolsa, juros, dólar ou contas públicas. Ainda assim, a discussão sobre quem representará o campo de centro-direita, favorável à responsabilidade fiscal e ao livre mercado, é um fator que costuma ser acompanhado por quem avalia o ambiente de longo prazo para o país.
O programa, que reuniu analistas da Finclass para discutir os caminhos da economia brasileira nos próximos quatro anos, ressaltou a necessidade de separar o que é relevante para os investimentos do que é apenas ruído político. Para os participantes, 2030 ainda está distante demais para previsões firmes.


