Por que investidor pessoa física dificilmente supera Wall Street escolhendo ações, segundo Bruno Perini
Apresentador do podcast Os Sócios argumenta que a eficiência do mercado americano torna o ETF indexado a melhor estratégia para a maioria dos investidores
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BRUNO PERINI · 3 MIN
O investidor pessoa física que tenta superar os grandes players de Wall Street escolhendo ações individuais tende a obter retorno inferior à média do mercado no longo prazo. A avaliação é de Bruno Perini, apresentador do podcast Os Sócios, em episódio dedicado ao livro "Ricos, sábios e felizes", de William Green.
Segundo Perini, o ponto de partida é a hipótese dos mercados eficientes, formulada pelo economista Eugene Fama, da Universidade de Chicago. Pela tese, quando há muitos participantes com acesso a informação e baixo custo para mudar de posição, os preços tendem a refletir o valor justo dos ativos. O apresentador citou ainda o investidor Howard Marks, entrevistado no livro, como alguém que trata do tema.
Perini ofereceu um raciocínio simples para ilustrar o conceito. Se uma ação como o Banco do Brasil é apontada como barata e muita gente ouve isso, a compra em massa elevaria o preço até um patamar neutro. Da mesma forma, se o Nubank é considerado caro, investidores poderiam montar posições vendidas (alugando ações para vender) e pressionar o preço para baixo. Para ele, a pergunta é se esse movimento já não está ocorrendo.
Brasil e Estados Unidos: mercados de tamanhos diferentes
Na avaliação do apresentador, o mercado brasileiro não é tão eficiente quanto o americano. Ele afirmou que os Estados Unidos têm quase 200 milhões de investidores, enquanto o Brasil conta com cerca de 5 milhões de CPFs na bolsa. Os estrangeiros, segundo ele, também têm presença limitada por aqui.
Como exemplo, Perini mencionou o recorde de entrada de capital estrangeiro em um único dia, após o primeiro turno das eleições: 10 bilhões de dólares. Segundo o apresentador, é um volume que a Apple negocia em minutos.
No mercado americano, afirmou, atuam brasileiros, latino-americanos, europeus, africanos e asiáticos, além de analistas jovens de Wall Street, algoritmos e, cada vez mais, ferramentas de inteligência artificial. Todos buscam, o tempo todo, discrepâncias entre preço e valor.
Outro fator citado é o custo de mudar de ideia. O investidor pessoa física, observou Perini, costuma pagar imposto de renda ao realizar lucros, o que pode levá-lo a segurar posições. Já os fundos de investimento montam e desmontam posições sem tributação a cada operação, que só incide quando o cotista resgata o dinheiro.
O que isso significa para o investidor
Por esse motivo, Perini considera "totalmente loucura" tentar imitar os grandes gestores concentrando a carteira em poucos nomes no exterior. Ele deu o exemplo de um médico que passa o dia em cirurgias e tenta escolher ações americanas nas duas horas livres do fim de semana. Em prazos curtos, admitiu, o resultado pode até ser positivo, mas em períodos longos a tendência é de retorno abaixo da média.
O apresentador lembrou que William Green, autor do livro, afirma diversas vezes que a maior parte do próprio dinheiro está em um fundo indexado, o ETF. Para Perini, o ETF costuma ser a melhor estratégia para o investidor pessoa física.
Ele citou John Bogle, que defendia que não há nada de errado em obter o retorno médio do mercado. Segundo Perini, repetir esse resultado por um longo período, acima da média de quem tenta fazer mais, leva o investidor ao destino desejado. As opiniões são do apresentador e não constituem recomendação de investimento.


