Geração Z troca baladas por corridas e ligas esportivas, e o consumo de fitness ganha força sobre o de bares
Segundo a CNBC Television, jovens buscam comunidade em atividades físicas, o que abre espaço para empresas de ligas, provas e eventos
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE CNBC TELEVISION · 3 MIN
Jovens adultos americanos estão trocando parte da vida noturna por corridas, provas de força e ligas esportivas amadoras, e o movimento já aparece nos números de empresas e nos dados de consumo. Segundo reportagem da CNBC Television, a busca por comunidade por meio do fitness está atraindo clientes e também investidores.
O exemplo mais visível citado pela emissora foi o Run Club do DJ Diplo, em Queens, no fim de outubro. Cerca de 12 mil pessoas pagaram até US$ 250 para participar de uma corrida de cinco quilômetros seguida de imersão em água gelada, amostras de produtos, música e um festival que ainda tinha coquetéis e cerveja.
Os números por trás da mudança
A CNBC apresentou dados que indicam um interesse que vai além de um único evento. Cerca de 7 em cada 10 adultos com menos de 30 anos disseram esperar participar de uma liga esportiva recreativa nos próximos seis meses. No Ironman, um quarto dos participantes de triatlos de meia distância e distância completa tem menos de 30 anos, ante 13% há uma década.
O aplicativo de corrida Strava, segundo a reportagem, constatou que a Geração Z é mais propensa que a Geração X a usar o exercício para conhecer pessoas com interesses em comum.
O gasto acompanha o comportamento. Dados do Bank of America citados na matéria mostram que a Geração Z e os millennials aumentaram os gastos com categorias ligadas a fitness mais rápido do que os gastos com bares no período analisado. Entre a Geração X e as gerações mais velhas, ocorreu o oposto: o gasto com bares cresceu mais.
Empresas e capital entram no jogo
Um sinal do interesse dos investidores é a Volo Sports, que organiza ligas de vôlei, kickball e futebol. A empresa caminha para cerca de 950 mil inscrições de jogadores neste ano, alta de aproximadamente 34% sobre o ano anterior e quase cinco vezes o nível de 2019. A Volo adquiriu concorrentes menores e recebeu aporte de private equity, mas o fundador e presidente-executivo afirmou à CNBC que a maior parte do crescimento é orgânica. Em suas palavras, algo como 25% veio de aquisições.
A reportagem também destacou que as empresas estão incorporando a socialização à própria experiência. A Hyrox, competição que combina corrida e exercícios funcionais, fez parceria com o aplicativo Surf Dating para um recurso de encontro às cegas na modalidade de duplas. O Surf ainda distribui pulseiras a solteiros nos eventos e promove festas após as provas.
O álcool não saiu de cena. A Volo mantém parcerias com bares, e o festival de Diplo tinha estandes de coquetéis. Para a CNBC, a mudança pode estar mais ligada a quando e como as pessoas socializam do que ao consumo de bebida em si.
O que isso significa para o mercado
Na avaliação da reportagem, o deslocamento cria oportunidades para operadores de ligas, organizadores de provas e negócios que atendam o público antes e depois dos eventos. Para quem acompanha o mercado de consumo, o dado relevante é a migração de gastos entre categorias dentro de uma geração, e não necessariamente uma queda geral no consumo social.
A CNBC não apresentou projeções de receita nem de valuation para as empresas citadas, de modo que a dimensão financeira do setor ainda é incerta. Segundo a emissora, para muitos desses jovens o principal retorno é ter um motivo para comparecer e pessoas para reencontrar.







