Banco estatal de Dakota do Norte prospera em reduto de Trump e vira modelo para candidatos progressistas
Criado em 1919, o único banco público dos EUA salvou uma usina a carvão, financiou obras e repassa lucros ao Estado, segundo reportagem da CNBC Television.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE CNBC TELEVISION · 3 MIN
O Bank of North Dakota, único banco estatal em operação nos Estados Unidos, prospera em um Estado onde Donald Trump venceu por margem de dois dígitos na última eleição e passou a ser visto por candidatos progressistas como modelo a copiar. A informação é de reportagem da CNBC Television, conduzida por Garrett Downs.
Segundo a reportagem, a instituição foi decisiva para evitar o fechamento da usina Coal Creek Station, grande termelétrica a carvão que abastece cerca de 1,7 milhão de pessoas em Minnesota. Há cinco anos, a operação estava prestes a ser encerrada, o que colocaria em risco mais de 600 empregos. Em 2022, a Rainbow Energy Center comprou a planta com apoio do banco.
Como funcionou a operação
O Bank of North Dakota comprou US$ 150 milhões em títulos de uma autoridade estadual de infraestrutura para viabilizar o negócio. De acordo com a reportagem, o pacote combinou crédito tradicional, redução de juros (interest rate buy downs) e algumas subvenções. O CEO da Rainbow, Stacey Snider, afirmou que o financiamento seria difícil de obter fora do Estado, por causa do que classificou como uma guerra ao carvão em governos anteriores.
A planta fica sobre grandes reservas de linhita, um tipo de carvão. A empresa planeja usar a energia para um projeto de data centers de 430 MW voltados à inteligência artificial, além de atividades ligadas a criptomoedas, segundo a reportagem.
Outro exemplo citado foi a biblioteca presidencial Theodore Roosevelt, em Medora, projeto de US$ 450 milhões. O banco concedeu uma linha de crédito de US$ 70 milhões a juro zero, que permitiu iniciar a obra antes do recebimento das promessas de doação.
Um banco público com lógica própria
O banco foi criado em 1919, no auge de um movimento populista e socialista que tomou parte do Centro-Oeste americano. Fazendeiros de trigo, insatisfeitos com tarifas de frete e juros cobrados por grandes bancos de Minneapolis, fundaram o Nonpartisan League e a instituição.
Na reportagem, o banco registra US$ 10,6 bilhões em ativos, valor pequeno diante de gigantes como JP Morgan e Bank of America. Moradores abrem contas com apenas US$ 50. A instituição não tem seguro federal de depósitos (FDIC): os depósitos são garantidos integralmente pela credibilidade e pela capacidade financeira do Estado.
O Estado mantém seus recursos do fundo geral no próprio banco e usa esses depósitos para empréstimos de desastre e estudantis. Os lucros retornam ao caixa estadual, e o total repassado ao longo da história chega a quase US$ 1,9 bilhão. Segundo a reportagem, isso ajuda a manter finanças sólidas e tributos estaduais relativamente baixos, além de amparar agricultores em um período de preços baixos e tarifas.
Riscos e debate político
A governança é compartilhada entre governador, Legislativo e uma comissão industrial. Um dos entrevistados reconheceu que, quando algo pertence ao Estado, a política passa a fazer parte da gestão, e atribuiu a longevidade de 107 anos a esse arcabouço, lembrando que muitos outros bancos públicos fracassaram.
Massachusetts e o Estado de Washington avaliam copiar o modelo. Um defensor da ideia argumenta que o dinheiro público estaria mais seguro sob controle democrático do que sob acionistas privados. Um dirigente do banco, porém, alertou que o modelo exige primeiro formar depósitos e gerar lucro, e disse que provavelmente não seria possível criar a instituição hoje.
Para o investidor, o caso é um indicador de que o debate sobre crédito estatal deve ganhar espaço na campanha de 2026. Fica a questão, que a reportagem não resolve, de como um modelo nascido de condições históricas específicas funcionaria em outros Estados.


