Dívida pública federal sobe 0,97% em setembro e chega a R$ 9,383 trilhões
Dívida bruta do governo geral chega a 82,9% do PIB, maior nível desde março de 2021, segundo dados do Banco Central.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 2 MIN

A dívida pública federal subiu 0,97% em setembro em relação a agosto e somou R$ 9,383 trilhões, segundo o Tesouro Nacional, que divulgou os números em 29 de outubro. O avanço mostra que o estoque de obrigações do governo segue crescendo, mesmo com a melhora pontual de alguns indicadores.
A dívida interna, formada por títulos emitidos em real, chegou a R$ 9,037 trilhões e cresceu 1,04% no mês. Já a dívida externa somou R$ 345,41 bilhões e recuou 0,82%, de acordo com o InfoMoney, que detalhou os dados do Tesouro.
O indicador mais observado pelos economistas, a dívida bruta do governo geral, ficou em 82,9% do PIB em setembro, segundo o Banco Central. Esse conceito inclui União, estados e municípios e deixa de fora o BC e as estatais. Em valores nominais, o montante passou de R$ 11,055 trilhões em agosto para R$ 11,114 trilhões em setembro. Segundo o Money Times, o percentual foi de 82,93% do PIB, ante 82,87% no mês anterior, e representa o nível mais alto em mais de cinco anos. O pico da série foi de 85,10% do PIB, em março de 2021.
O Money Times atribui a pressão principalmente aos juros incidentes sobre a dívida. O resgate líquido de títulos feito pelo Tesouro e o crescimento da atividade econômica compensaram parte desse efeito. Na métrica de dívida líquida do setor público, o índice subiu para 70,0% do PIB, ante 69,3% em agosto.
Antes da divulgação, economistas ouvidos pela Reuters esperavam que o resultado fiscal de setembro, que reúne Tesouro, Banco Central e Previdência, fosse superavitário em R$ 4,650 bilhões, conforme o InfoMoney. O resultado efetivo não consta no material apurado, e por isso não é possível afirmar se a expectativa se confirmou.
No mesmo período, o Federal Reserve manteve os juros americanos, com dois dirigentes votando por alta, e os prefixados de prazo longo subiram pela segunda sessão seguida, segundo o InfoMoney. Para quem defende responsabilidade fiscal, o ponto central é que o custo da dívida cresce junto com o estoque, e só um resultado primário consistentemente positivo permite estabilizar essa conta sem depender de juros cada vez mais altos.
O que muda para o investidor
Para quem investe e opera, o dado reforça que a trajetória da dívida segue sob pressão dos juros, o que costuma se refletir na remuneração exigida nos títulos públicos e no ambiente de risco fiscal. Juros longos mais altos também podem pesar sobre ativos de maior duração, como ações de crescimento e papéis de empresas listadas na Nasdaq, porque reduzem o valor presente de lucros distantes. Como o resultado fiscal efetivo de setembro não aparece nos dados apurados, o próximo passo para medir a direção dessa pressão é conferir esse número e a evolução da curva de juros.


