Vitória de Lula faz dólar disparar e tira corte da Selic do horizonte próximo
Segundo Luis Otavio Leal, economista-chefe da G5 Partners, a Selic tende a permanecer parada na próxima reunião, e uma redução em dezembro só ganha força se o Executivo deixar claro como pretende cuidar do orçamento.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE SEU DINHEIRO · 2 MIN

A vitória de Lula na eleição fez o dólar disparar e recolocou em xeque a expectativa de um novo corte da Selic. Segundo o Seu Dinheiro, o Banco Central deve manter os juros na reunião da semana seguinte, sem clima para redução, e a chance de um corte em dezembro dependerá, principalmente, de como o Executivo se posicionar sobre o rumo do orçamento.
Antes das urnas, o mercado apostava em cortes. Segundo o InfoMoney, a visão dominante era de uma redução de 0,25 p.p. na Selic, mas o resultado virou essa probabilidade de cabeça para baixo. Hoje a taxa está em 13,75%, e grande parte do mercado projeta manutenção até o fim do ano. A XP, por exemplo, prevê pausa nos juros até o fim de 2027.
Segundo o Money Times, Luis Otavio Leal, um dos sócios da G5 Partners, comanda a análise econômica da casa. Ele aponta o câmbio em alta e a chance de as expectativas de inflação se deteriorarem como motivos para a manutenção. Na leitura dele, a combinação desses dois fatores torna a autoridade monetária mais cautelosa neste momento.
O Copom, de acordo com o InfoMoney, vai decidir sob pressão inflacionária e com desconfiança fiscal em relação a Lula reeleito. Ou seja, a discussão deixa de girar apenas em torno da inflação e passa a incluir a credibilidade das contas do próximo governo.
A bolsa também sentiu o impacto. Conforme o Money Times, o Ibovespa recuou cerca de 20% logo após a divulgação do pleito.
Na avaliação de Leal, a sinalização do Executivo sobre o equilíbrio fiscal é o fator que pode destravar um corte em dezembro. Sem essa clareza, o caminho para a queda dos juros fica condicionado e mais distante.
O que muda para o investidor
Para quem investe e opera, o cenário sugere juros elevados por mais tempo, com o dólar pressionado e a bolsa sensível ao noticiário fiscal. Taxas altas costumam pesar sobre o valuation de ações e sobre o custo do crédito, mas o efeito varia por setor e por empresa. Nos próximos meses, o principal termômetro será a forma como o governo responder às cobranças sobre as contas públicas, e não apenas o desempenho da economia.


