Economista da G5 prevê pausa na Selic depois da vitória de Lula
Luis Otávio Leal, da G5 Partners, acredita que a movimentação do mercado diante do resultado eleitoral de Lula tende a fazer o BC segurar um novo corte da Selic.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE MONEY TIMES · 2 MIN

Luis Otávio Leal, economista-chefe e sócio da G5 Partners, considera que, neste momento, pouco favorece uma nova redução da Selic. Em conversa com o Money Times, disse que o movimento dos investidores após a vitória de Lula tende a levar a autoridade monetária a postergar o corte na reunião do Copom desta semana.
Antes da eleição, a expectativa era outra. Segundo o Money Times, o mercado previa cortes tanto nesta reunião quanto em dezembro. A virada veio com o câmbio: o dólar disparou após a eleição de Lula, de acordo com o Seu Dinheiro.
Segundo Leal, há duas razões para deixar a taxa como está. A primeira é a valorização do dólar. A outra é a possibilidade de as projeções de inflação ficarem mais pessimistas. Segundo o Money Times, o BC deve aguardar a poeira baixar após a reação ao dólar antes de qualquer nova decisão.
Já ao Seu Dinheiro, Leal afirma que o BC deve interromper os cortes logo na próxima reunião do Copom. Para ele, o ambiente não é propício a reduzir a taxa na sessão seguinte. Os dois veículos divergem sobre o prazo: o Money Times fala em reunião desta semana, enquanto o Seu Dinheiro menciona a da semana que vem.
Mais à frente, Leal afirma que um corte em dezembro dependeria, antes de tudo, do que a gestão federal indicar sobre o equilíbrio do orçamento. Ou seja, o quadro de fim de ano estaria mais ligado à agenda fiscal do que a uma decisão imediata do BC.
O que muda para o investidor
Para quem opera bolsa, Nasdaq, juros e dólar, a leitura é que uma pausa nos cortes, se confirmada, manteria a taxa básica elevada por mais tempo, e o câmbio seguiria como variável central. Juros altos por mais tempo costumam pesar sobre ativos de risco, enquanto um dólar em alta pode pressionar as expectativas de inflação, justamente o fator que Leal destaca. Vale acompanhar o comunicado do Copom e as movimentações da gestão federal no campo fiscal, que, segundo o economista, são o principal gatilho para qualquer corte em dezembro.


