Ruralistas montam alternativa e cobram ajustes na reforma tributária
Entre as reivindicações da FPA estão uma alíquota menor para comida, a retirada de insumos do campo do seletivo e um benefício para quem tem receita anual de no máximo R$ 3,6 milhões.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE TIMES BRASIL · 3 MIN

Segundo o Times Brasil, a bancada do agronegócio no Congresso, reunida na sigla FPA, monta uma proposta alternativa e tenta levar o Parlamento a reconsiderar trechos da reforma tributária. O grupo rejeita mudanças que possam atingir o setor e diz que empregará seu peso político para manter as vantagens que julga indispensáveis à atividade.
Pedro Lupion (Republicanos-PR), deputado federal e presidente da FPA, falou nesta terça-feira (3). De acordo com o veículo, a intenção da frente é tornar a reforma menos danosa ao produtor rural, e não barrar o debate sobre o tema.
Os pedidos são diretos. O grupo quer que a alíquota menor siga valendo para os alimentos, com redução de 60%. Também pede que os insumos do campo fiquem fora do seletivo e que produtores com receita anual de no máximo R$ 3,6 milhões recebam isenção.
Os pleitos tocam em dois pontos sensíveis: o custo de produzir alimentos no campo e o custo dos insumos que os produtores compram. Quando a alíquota é reduzida ou um insumo fica fora de um imposto, a conta pesa menos no preço final e na margem de quem produz, mas a exceção também transfere parte da carga para os demais contribuintes.
O pedido de isenção por faturamento merece atenção à parte. Ao definir um teto de receita para o benefício, a proposta cria um recorte por porte de produtor, o que faz da regra geral uma exceção para uma faixa do setor. Esse desenho precisa ser avaliado com cuidado, porque regimes setoriais tendem a se multiplicar quando um deles é aprovado.
O avanço da contraproposta acontece enquanto o texto ainda pode mudar no Congresso, o que mantém o tema em aberto. A pressão da bancada mostra como a reforma tributária se tornou um campo de disputa entre setores com interesses diferentes, e não apenas um debate técnico sobre impostos.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha empresas do agronegócio, de insumos e de alimentos, o ponto central é a previsibilidade. Se os benefícios pleiteados forem preservados, a carga tributária dessas cadeias tende a ficar mais leve, o que pode afetar margens. Se houver perda de benefícios, a conta sobe e a leitura de resultados muda. Enquanto o desenho final não estiver definido, a incerteza regulatória seguirá como um fator de avaliação para o setor, sem que isso permita prever preços ou desempenho de ações.


