Reforma tributária: quem adiar a preparação pode terminar 2027 sob o novo imposto
Calendário já está marcado, MP do Imposto Seletivo segue para Lula e a Fenacon alerta que micro e pequenas empresas não estão preparadas.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE ESTADÃO · 3 MIN

Quem empurrar a adaptação para mais tarde corre o risco de, em 2027, ter o novo imposto já tomando as decisões de gestão, conforme o Estadão. A coluna critica companhias que chegariam àquela data sem ter feito a gestão prevista para 2022. A data da reforma já está marcada e o cronograma foi publicado.
No governo, o cenário ainda está em movimento. De acordo com o Times Brasil, Dario Durigan, da Fazenda, levará a Lula, após uma reunião na terça-feira (3), a medida provisória com as alíquotas do Imposto Seletivo. A medida deixou a pasta da Fazenda e agora aguarda na Casa Civil, de onde seguirá para o Congresso após a conversa com o presidente.
Segundo o mesmo veículo, quatro itens em discussão tendem a aumentar a carga de impostos no quarto mandato de Lula: a cobrança extra do Imposto Seletivo, uma CBS com alíquota superior ao esperado, a possibilidade de incidência de IOF sobre investimentos que hoje escapam dele e a retirada de incentivos tributários. Para quem investe, a cobrança de IOF sobre aplicações que hoje não pagam é o ponto mais sensível da lista.
No caixa das companhias, a Exame conta que o valor chega hoje já com os tributos incluídos, e o pagamento ao fisco só acontece na competência posterior, numa janela entre 30 e 40 dias. Segundo a mesma reportagem, o split payment da reforma exige que as companhias revisem agora o caixa e os contratos.
O descompasso também aparece no discurso do setor contábil. Reynaldo Lima Jr., à frente da Fenacon, disse ao Poder360, em declarações publicadas na segunda-feira (2), que micro e pequenas empresas (MPEs) ainda não estão prontas. Segundo ele, apenas as grandes empresas se organizaram, enquanto médias, micro e pequenas ainda têm dúvidas.
O quadro combina, portanto, um cronograma já definido, uma medida provisória que ainda precisa passar pelo Congresso e um calendário de caixa que pressiona as empresas antes de as regras estarem fechadas.
Como isso afeta quem aplica
O efeito mais direto sobre quem investe está na lista de medidas em discussão. Cobranças mais altas de CBS e Imposto Seletivo, a possível tributação de investimentos que hoje ficam livres dela e a redução de incentivos fiscais podem mexer no retorno líquido de alguns ativos e no custo de operar das empresas. Companhias com caixa apertado e pouco preparo para o split payment podem sentir pressão no capital de giro, o que tende a pesar mais em setores de margens menores. O texto da MP no Congresso é o que definirá o que sai do papel, e vale acompanhá-lo. Este texto não indica o que comprar ou vender e não faz projeções de cotação.


