Cochrane e Lara Resende divergem sobre juros, contas públicas e inflação no debate sobre o Brasil
Economista de Stanford discorda da proposta de baixar juros na marra, defendida por uma das mentes por trás do Plano Real, e aponta o desequilíbrio fiscal como causa da inflação.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE ESTADÃO · 2 MIN

Um debate entre dois economistas de alto nível expôs as divisões sobre a condução da política monetária no Brasil. Segundo o Estadão, John H. Cochrane não aceita por completo a ideia de cortar juros na marra, proposta que André Lara Resende, uma das mentes por trás do Plano Real, costuma defender.
Cochrane é pesquisador sênior da Hoover Institution, na Universidade de Stanford. De acordo com o Estadão, ele considera a receita de Lara Resende para o desequilíbrio fiscal economicamente sofisticada, mas se mantém sempre cauteloso com a ideia de reduzir a inflação por meio de corte de juros. Para ele, a proposta não tem precedente histórico.
O ponto de partida da discussão é o desequilíbrio fiscal, que aparece como uma das causas da inflação. Quando as contas públicas não fecham, a pressão sobre os preços tende a persistir, e isso muda o peso que a taxa de juros pode ter sobre o problema.
Cochrane também questiona o arcabouço convencional dos bancos centrais, que combate a pressão inflacionária principalmente com alta de juros. Ao colocar essa lógica em xeque, ele amplia o debate para além de uma escolha técnica pontual, em linha com o enquadramento de discussão econômica internacional sobre as diretrizes monetárias do país.
Lara Resende, por sua vez, classifica Cochrane como macroeconomista ortodoxo de alta qualificação. A troca de elogios mantém o tom técnico do confronto, que gira em torno de uma pergunta central: dá para domar a inflação com juros menores sem antes encarar o problema das contas públicas?
O que muda para o investidor
Para quem investe em bolsa, Nasdaq, juros e dólar, o ponto central é a previsibilidade da política monetária. Se o debate avançar em direção a juros mais baixos sem um ajuste nas contas públicas, a leitura de risco fiscal e inflacionário tende a pesar sobre os ativos de renda variável e sobre o câmbio. Já uma condução que combine responsabilidade fiscal com uma trajetória de juros clara tende a reduzir a incerteza. Nada disso é uma previsão de preços, e o mais prudente é acompanhar como o governo e o Banco Central tratam as contas e a inflação antes de tomar qualquer decisão.


