Texto de Lara Resende sobre juros reacende debate sobre contas públicas
Proposta de redução gradual dos juros pelo Banco Central recebe elogios e ressalvas de economistas em meio ao temor de crédito mais caro.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 3 MIN

A discussão sobre as contas públicas voltou a ganhar força depois que um texto de Lara Resende, integrante do grupo de formuladores do Plano Real, repercutiu. Segundo o InfoMoney, o autor sugere que o ajuste fiscal seja conduzido pelo Banco Central, com quedas paulatinas e contínuas dos juros. O texto, que se apresenta como uma denúncia contra juros considerados abusivos e propõe acabar com eles, foi publicado em 28 de setembro, de acordo com o Money Times.
A repercussão, porém, é recente. Segundo o Money Times, o material só ganhou projeção no último fim de semana, depois que Gleisi Hoffmann o divulgou. A mesma publicação conta que o presidente teria chamado o autor para dialogar na sede do governo, o Palácio do Planalto. Com o episódio, investidores ficaram inquietos em novembro, pois analistas temiam uma virada na política econômica e uma espiral inflacionária parecida com a dos anos 1970 e 1980. Alguns desses economistas passaram a rotular Lara Resende como heterodoxo.
Entre as análises mais influentes está a de Cochrane, pesquisador sênior ligado à Universidade de Stanford por meio da Hoover Institution. Segundo o InfoMoney, ele classifica o texto como sofisticado e consistente do ponto de vista econômico, mas sugere uma reforma coordenada que combine aspectos fiscais, monetários e microeconômicos. Já o Estadão aponta que Cochrane rejeita, em parte, a queda compulsória dos juros, enxerga com reservas a tese de conter a inflação cortando juros e diz que não há exemplo histórico para a proposta. O próprio Lara Resende, segundo o Estadão, cita Cochrane como representante da ortodoxia que questiona o arcabouço em que a inflação é combatida com alta de juros.
O pano de fundo é um mercado que já se preocupa com o custo do dinheiro. Segundo a Gazeta do Povo, o mercado teme crédito mais caro após a reeleição de Lula.
O que muda para o investidor
Na prática, o debate desloca o foco para o desenho da política monetária e para a relação entre juros e contas públicas. Se a discussão avançar, a trajetória da taxa básica e a credibilidade do arcabouço passam a ser objeto de disputa, o que tende a pesar sobre juros longos, câmbio e o prêmio de risco exigido de ativos brasileiros. Para quem investe em bolsa, juros ou dólar, o ponto central é a previsibilidade: qualquer sinal de mudança no regime de juros altera a precificação de risco e o custo do crédito, sem que isso permita antecipar preços.


