Escândalo das cédulas no Alasca pode levar a acusações criminais, diz ex-integrante do Departamento de Justiça
Disputa pelo Senado segue sem definição, com Peltola à frente de Sullivan por menos de 700 votos e investigações sobre o candidato apelidado de 'Decoy Dan'.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
A contagem de votos na disputa pelo Senado no Alasca continua e deve se estender por algum tempo. A democrata Mary Peltola lidera o republicano Dan Sullivan, atual senador, por menos de 700 votos, segundo o relato do programa da Fox Business.
No centro da polêmica está um terceiro candidato, Daniel J. Sullivan, apelidado de 'Decoy Dan' (algo como 'Dan Isca'), homônimo do senador. Ele tem cerca de 3.600 votos, o equivalente a 1,7%, conforme citado pelo apresentador. O resultado final pode depender de cédulas enviadas pelo correio por comunidades remotas.
Como funciona o voto por ranking
No Alasca, os eleitores ordenam os candidatos por preferência. Para vencer de imediato, é preciso mais de 50% dos votos, o que não ocorreu. O último colocado é eliminado, e seus votos passam à segunda opção de cada eleitor. As rodadas se repetem até que um candidato alcance a maioria.
Segundo o apresentador, os eleitores podem ter se confundido com a presença de Decoy Dan na cédula. A situação levou o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) a processar o Alasca por causa do processo de certificação da eleição, antes mesmo de ele ser concluído.
'Esquema calculado', diz ex-integrante do DOJ
O ex-procurador-geral adjunto Tom Dupree afirmou que o episódio foi errado e que se tratou de um esforço calculado e deliberado para enganar eleitores republicanos do Alasca e levá-los a desperdiçar seus votos. Ele ponderou, porém, que não está claro que apenas lotar a cédula com um candidato-isca seja crime, e lembrou que há uma longa tradição de manobras desse tipo nos Estados Unidos.
Dupree disse que há investigações em andamento sobre a possível prática de crimes no processo de colocar o candidato na cédula. Para ele, 'pode muito bem haver acusações criminais' como resultado. Na avaliação do ex-integrante do DOJ, o esquema tende a falhar: se Decoy Dan terminar em último ou em quarto lugar, seus votos serão realocados para a segunda opção de cada eleitor, o que na prática beneficiaria o verdadeiro Dan Sullivan.
O programa exibiu uma conversa de um repórter com um eleitor que escolheu Daniel J. Sullivan em primeiro lugar e Peltola em segundo. O eleitor disse estar confiante de que seu voto iria para Peltola ao final e admitiu que a escolha foi 'mais estratégia'. Dupree classificou o relato como perturbador. Segundo ele, se eleitores suficientes votaram assim, o esquema pode ter afetado a eleição, e os investigadores terão muito trabalho para reconstituir o que teria ocorrido sem a suposta fraude e engano.
Peltola e o impasse político
O apresentador observou que, somando os 1,7% do falso candidato ao senador Sullivan, a disputa estaria decidida a favor do republicano. Dupree disse haver 'argumento muito forte' para que a campanha de Peltola aceite a transferência dos votos dados por engano a Decoy Dan ao verdadeiro Sullivan e deixe a eleição seguir como deveria, sem a adulteração.
O apresentador se mostrou cético quanto a essa saída. Ele lembrou que Peltola diz não ter sabido de nada, enquanto, segundo o New York Times, ela teria conhecimento de tudo. A transcrição não detalha essa reportagem.
Para o investidor, o episódio é antes de tudo um fator de incerteza institucional: o desfecho depende de uma contagem lenta, de regras de transferência de votos e de investigações e disputas judiciais ainda em curso. A transcrição não trata de efeitos sobre bolsa, juros ou dólar, e o prazo para uma definição segue em aberto, com a expectativa, segundo o programa, de muito debate nas próximas semanas.


