Forrester: queda das bolsas não muda a trajetória da IA, mas o investimento tende a mudar de rumo
George Colony diz que gasto em tecnologia seguirá em alta, mas vê migração de capital para modelos privados e menor peso da Nvidia no ciclo
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BLOOMBERG TELEVISION · 4 MIN
O fundador, presidente e CEO da Forrester Research, George Colony, afirmou em entrevista à Bloomberg Television que a forte liquidação nas bolsas globais não altera a trajetória de longo prazo da inteligência artificial, mas deve provocar uma redistribuição do capital investido no setor. No momento da conversa, segundo o apresentador, o S&P 500 recuava 3,1% e o Nasdaq caía mais de 5%.
Colony pediu calma aos investidores. Segundo ele, a Forrester projeta que o gasto global em tecnologia chegue a US$ 6,1 trilhões no próximo ano, alta de cerca de 8%, e que a IA responda por 30% de toda a despesa em tecnologia até 2030. "O gasto em tecnologia não está desacelerando, está aumentando", disse. Ele classificou a IA como a tecnologia mais importante inventada em sua vida.
Data centers mudam de endereço
Questionado sobre a possível desaceleração da construção de data centers após as eleições, em especial no Texas, onde o apresentador citou a mudança no humor do eleitorado local, Colony previu uma "migração de capital". Em sua avaliação, os centros de dados continuarão a ser erguidos, mas em outros estados. Ele disse não esperar novas obras no Texas, e provavelmente tampouco em Ohio e na Geórgia.
O executivo também apontou um fator ainda pouco considerado pelo mercado: os modelos privados, desenvolvidos por bancos, seguradoras e montadoras. Segundo a Forrester, 70% da receita gerada com IA virá desses modelos, e não dos grandes modelos de fronteira, como os do Gemini e da Anthropic. Para Colony, há hoje uma má alocação de capital em favor dos modelos públicos.
Isso, afirmou, deve levar parte dos computadores de volta aos data centers das próprias empresas, como JPMorgan ou Bank of America, e aliviar a pressão sobre a construção de estruturas dos hiperescaladores. Ele admitiu que pode haver alguma moderação na demanda por data centers, à medida que sistemas antigos de nuvem sejam convertidos para a chamada computação de IA.
Nvidia, neoclouds e o papel do software
Colony disse que grandes empresas não gostam de ficar reféns de um único fornecedor e que isso ocorre hoje com a Nvidia. Ele citou chips desenvolvidos pela AWS e pela Microsoft e avaliou que outros processadores ocuparão os data centers. Não significa um colapso da Nvidia, ressalvou, mas o crescimento da empresa pode ser menos otimista do que se imagina. Segundo o apresentador, a companhia divulga resultados em 17 de novembro.
O apresentador citou ainda reportagem da própria Bloomberg, assinada por Brody Ford, segundo a qual a Microsoft estaria perdendo o apetite pelas chamadas neoclouds, por causa de atrasos, entraves regulatórios e custos elevados. Colony viu no relato mais um sinal de "rachaduras na estrutura", mas descartou risco de contágio: "as colunas ainda não estão caindo". Para ele, o avanço da IA não será em linha reta.
Sobre custo de capital, Colony disse que o setor recebeu dinheiro em excesso e que a correção deve forçar modelos menores, destilados, na faixa de bilhões de parâmetros, e não de trilhões. Segundo ele, parte dos modelos chineses já segue essa tendência. Na comparação histórica, lembrou que a Cisco foi a empresa de maior valor de mercado na construção da web. Hoje esse posto é da Nvidia, o que, em sua visão, não é sustentável nesses níveis, e o valor tende a migrar para o software.
O próprio setor de software, porém, enfrenta risco elevado. Colony estimou em 50% a chance de que uma empresa do segmento não sobreviva à transição para a computação de IA, e disse que o desafio é passar de dados estruturados e determinísticos para dados não estruturados e probabilísticos. Sobre OpenAI e Anthropic, afirmou que um modelo de linguagem não é um modelo de negócios, mas que as duas podem se tornar a Oracle e a SAP do futuro, sustentando os modelos privados das grandes companhias.
Para o investidor, a mensagem da entrevista é de que a análise da Forrester aponta para um mercado mais seletivo, com menos concentração nos fabricantes de chips. Colony reforçou que olha o horizonte de cinco anos, e não o de horas, e que a IA estará embutida em todos os dispositivos.


