Ajuste fiscal e política social: Lisboa vê ‘falso dilema’ e aponta falta de avaliação de programas
Em entrevista ao Times Brasil, o economista Marcos Lisboa diz que gastos sem medição de resultados ajudam a explicar parte do desequilíbrio das contas públicas.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE TIMES BRASIL · 2 MIN

Para o economista Marcos Lisboa, ex-presidente do Insper, a disputa entre responsabilidade fiscal e gasto social parte de um enquadramento equivocado. Em entrevista ao Times Brasil, ele afirma que a oposição entre ajuste fiscal e política social é um “falso dilema” e que o país tem problema fiscal justamente por negligenciar a questão social.
Segundo o Times Brasil, Lisboa sustenta que parte do desequilíbrio das contas públicas vem da falta de avaliação da eficácia dos programas estatais. Na leitura dele, a discussão deveria sair do debate sobre quanto gastar e avançar para a pergunta sobre se cada política entrega o que promete.
De acordo com a entrevista, o governo cria novas políticas e amplia gastos sem mecanismos suficientes para medir resultados. Lisboa também aponta que faltam instrumentos para corrigir programas que não cumprem seus objetivos, o que deixa a despesa sem um método claro de ajuste.
O que está em jogo é o desenho da própria política fiscal. Se a expansão de gastos não vem acompanhada de avaliação, a discussão sobre cortes e sobre programas sociais tende a ficar presa a posições ideológicas, e não a resultados verificáveis.
A entrevista não traz números nem projeções sobre o tamanho do desequilíbrio, nem detalha programas específicos. Este texto se limita, portanto, às afirmações do economista, sem acrescentar dados que não constam da apuração.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha juros, dólar e bolsa, o ponto central é a trajetória das contas públicas. Se novos gastos crescem sem mecanismo de checagem, o mercado pode olhar com mais cautela para a sustentabilidade fiscal, e essa leitura costuma pesar sobre ativos sensíveis a juros e câmbio. Uma agenda que combine ajuste com avaliação de resultados tenderia, em tese, a reduzir essa incerteza. A entrevista não indica medidas concretas do governo e não permite prever o comportamento de preços.


