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VÍDEOS03 NOV 2026 · 12:00

França paga mais que Itália e Grécia para se financiar e vira o elo frágil da dívida europeia

Juros dos títulos franceses chegam ao maior nível em mais de duas décadas, e CNBC Television vê pressão fiscal e política crescente em Paris

POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE CNBC TELEVISION · 3 MIN

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Os juros dos títulos do governo francês subiram ao maior patamar em mais de duas décadas e encarecem o custo de financiamento da França, segundo reportagem da CNBC Television. Os rendimentos dos títulos de dez anos chegaram perto de 5%, e o país hoje paga mais para se endividar do que Itália, Espanha e Grécia, antigos focos de crise na Europa.

Segundo a reportagem, os preços dos contratos de seguro contra calote (credit default swaps) também subiram, sinal de que o mercado teme que Paris tenha dificuldade para honrar suas dívidas. Os juros franceses estariam convergindo para os do Reino Unido.

Dívida dobrou em 25 anos

Nos últimos 25 anos, a dívida francesa dobrou, de cerca de 60% para pouco menos de 120% do PIB, de acordo com a CNBC Television. O déficit primário é descrito por um dos entrevistados como "enorme", numa situação fiscalmente insustentável.

A reportagem aponta que um pacote de alívio na pandemia, tetos para preços de energia após a invasão da Ucrânia e cortes de impostos empurraram a relação dívida/PIB para 115%. O crescimento, por sua vez, é fraco: as estimativas do FMI e de outros organismos giram em torno de 0,4% para 2026, número que, nas palavras de um entrevistado, não ajuda a resolver um problema tão grande de endividamento.

O sistema de previdência generoso agrava o quadro. Na França, é possível se aposentar aos 63 anos, e a reportagem afirma que o custo do Estado de bem-estar social não está sob controle. Em 2022, havia pouco mais de 2,5 pessoas em idade de trabalhar para cada pessoa com mais de 65 anos. A projeção é de que a proporção caia para 1,7 em 2070. Um dos analistas ouvidos avalia que não há caminho fiscal crível sem uma reforma previdenciária relevante, com idade mínima de 65 anos, de preferência 67.

Risco para a zona do euro e comparação com os EUA

O cenário político complica a equação. Segundo a CNBC Television, o que começou como protesto de estudantes contra cortes na educação virou manifestações em massa contra o custo de vida, e a indefinição sobre os cortes de gastos segue pesando sobre os mercados de títulos globais.

A reportagem recorda a crise de 2009, que começou na Grécia e se espalhou para Portugal, Espanha e Itália. A diferença é de escala: a Grécia representa menos de 1,5% do PIB da União Europeia, enquanto a França responde por cerca de 16%. Um resgate desse tamanho seria extremamente caro, e a palavra final caberia ao Banco Central Europeu, que dispõe de instrumentos como o Mecanismo Europeu de Estabilidade e de um respaldo monetário para casos graves.

Para o investidor, a questão é se a pressão sobre a dívida francesa ficará restrita ao país. Economistas ouvidos pela CNBC Television dizem que a França ainda não está numa crise de dívida soberana, mas veem o risco de a deterioração contaminar o restante da zona do euro e depois a economia global.

Estados Unidos e França estariam em trajetórias fiscais parecidas, com dívida acima de 100% do PIB. Segundo a reportagem, os americanos têm vantagens: crescimento em torno de 2% ou mais, dívida emitida em moeda que controlam e o status de reserva global do dólar, que sustenta a demanda por seus ativos.

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