Cochrane vê lógica na sugestão de Lara Resende de baixar juros, com ressalvas
Para o economista da Hoover Institution, a ideia de levar os juros básicos para 7,5% ao ano traz ressalvas fiscais e pede cautela quanto à inflação.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE EXAME · 3 MIN

O economista norte-americano John Cochrane avaliou a sugestão de André Lara Resende de cortar a taxa Selic para 7,5% ao ano. Segundo a Exame, ele considera os argumentos consistentes e enxerga que a queda poderia atenuar o peso dos juros sobre a dívida pública. Mesmo assim, não se posicionou a favor nem contra a medida. O Estadão descreve a posição de forma um pouco diferente: Cochrane não concorda totalmente com a redução de juros defendida por Lara Resende.
Cochrane atua como pesquisador na Hoover Institution, instituto vinculado à Universidade de Stanford. Segundo o Estadão, ele considera a receita fiscal de Lara Resende economicamente sofisticada, já que o desequilíbrio fiscal é uma das causas da inflação. Na mesma análise, o economista se mostra cauteloso com a ideia de reduzir a inflação por meio do corte de juros, lembrando que a proposta não tem precedente histórico. A Exame acrescenta ressalvas sobre política fiscal, juros reais e câmbio.
Quanto a Lara Resende, ele participou da elaboração do Plano Real. Na visão de Cochrane, trata-se de um economista de linha ortodoxa e grande preparo técnico, segundo o Estadão. Essa caracterização contrasta com a de alguns economistas de mercado ouvidos pelo Money Times, que o chamaram de heterodoxo. A mesma reportagem registrou temores distintos: alguns receiam uma guinada na condução da economia, enquanto outros veem risco de espiral inflacionária nos moldes dos anos 1970 e 1980.
A proposta está no artigo «Eu Acuso», publicado por Lara Resende em 28 de setembro. Segundo o Money Times, o texto só chamou atenção no fim de semana de início de novembro, depois que Gleisi Hoffmann e outras lideranças próximas a Lula o divulgaram. Essa mesma matéria afirma que Lula, reeleito presidente, teria chamado Lara Resende ao Palácio do Planalto para discutir o tema.
Pelo governo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi quem se manifestou. Conforme o Estadão, ele considerou a sugestão embrionária e cheia de falhas. A discussão, portanto, gira menos em torno do número da Selic e mais da política fiscal, tema recorrente nas ressalvas registradas.
Impacto para quem investe
Até aqui, a proposta é uma discussão de ideias, sem decisão anunciada pelo governo ou pelo Banco Central. Ainda assim, o debate mexe com as expectativas sobre o caminho da Selic, variável que influencia renda fixa, câmbio e bolsa. Quem acompanha o mercado deve observar se o governo sinaliza mais ou menos compromisso com as contas públicas, já que o tema aparece entre as ressalvas mais recorrentes nas análises, e como a discussão evolui após as conversas com o Planalto. Esta reportagem não sugere compra ou venda de qualquer ativo e não projeta preços.


