Fazenda descarta sugestão de Lara Resende sobre a Selic e investidores veem cenário adverso
Ministro Dario Durigan classifica a ideia como incipiente, enquanto economistas temem guinada brusca e espiral inflacionária
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE ESTADÃO · 3 MIN

Dario Durigan, ministro da Fazenda, recusou a sugestão de limitar os juros feita por André Lara Resende. Segundo o Estadão, ele considerou a ideia incipiente e cheia de falhas, num momento em que o mercado financeiro já acompanha o assunto com apreensão.
Lara Resende participou da elaboração do Plano Real e contribuiu para domar a hiperinflação, o que confere ao debate um peso histórico. Em texto intitulado "Eu Acuso", divulgado em 28 de setembro, ele sustenta que a Selic deveria cair para 7,5% ao ano, segundo o Exame.
A repercussão do texto cresceu no fim de outubro e no começo de novembro, após a publicação ser repassada por Gleisi Hoffmann e por nomes próximos a Lula, que foi reeleito. O Money Times também noticiou que Lara Resende teria recebido um convite de Lula para um encontro no Palácio do Planalto.
Ainda de acordo com o Money Times, o texto deixou investidores inquietos já no início de novembro. Analistas apontaram a possibilidade de uma guinada brusca na condução econômica e de uma espiral inflacionária, e parte dos colegas de profissão rotulou o autor como heterodoxo.
Entre as vozes internacionais, John H. Cochrane, da Hoover Institution, em Stanford, não concorda totalmente com a redução forçada dos juros e afirma, segundo o Estadão, que a proposta não tem precedente histórico. Ao mesmo tempo, ele considera a receita fiscal do autor economicamente sofisticada. Para o Exame, Cochrane considerou sólidas as premissas apresentadas e admitiu que a medida poderia baratear a dívida pública, mas levantou objeções sobre política fiscal, juros reais e câmbio, sem apoiar nem condenar a proposta.
O que está em jogo vai além de uma divergência entre economistas. A discussão toca a credibilidade da política fiscal e a forma como o governo responde a pressões por juros menores, num cenário em que a Fazenda já sinalizou resistência à ideia.
O que muda para o investidor
Para quem investe em bolsa, Nasdaq, juros e dólar, o episódio funciona como um termômetro do debate sobre a Selic. Os pontos que as próprias fontes destacam são o custo da dívida pública, que Cochrane vê como possível alívio, o câmbio e os juros reais, também citados por ele, além do risco de espiral inflacionária apontado pelos economistas. Nada disso indica a direção dos preços. A leitura mais prudente é acompanhar os sinais da Fazenda e o desdobramento do debate, sem tomar decisões com base apenas no artigo.


