Nasdaq cai 5,5% e entra em correção com dúvida sobre o custo da corrida da inteligência artificial
Índice dos chips recua 12% e Dow Jones perde mais de 1.800 pontos; Estéfano Santos diz que o mercado questiona quem pagará a conta dos data centers.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE X-TRADER TV · 4 MIN
A Nasdaq despencou 5,5% em um único pregão e entrou oficialmente em território de correção, arrastada por uma queda de 12% no índice de semicondutores. O Dow Jones perdeu mais de 1.800 pontos, em um dia que reacendeu o debate sobre o preço das ações ligadas à inteligência artificial.
Segundo Estéfano Santos, fundador da X-Trader e trader de Nasdaq Futures há mais de 10 anos, o movimento nasceu de uma pergunta que o mercado passou a fazer: quem vai pagar a conta da infraestrutura da IA. Em vídeo publicado no canal X-Trader TV, ele afirmou que a queda, embora forte, não deve ser chamada de crash.
A obra e a loja de material
Estéfano usou uma metáfora para explicar o pano de fundo. As maiores empresas de tecnologia do mundo constroem data centers, galpões descritos por ele como do tamanho de bairros e lotados de chips. A previsão de investimento para o ano que vem é de US$ 1,2 trilhão, mais de R$ 6,6 trilhões, o equivalente, nas palavras dele, a cerca de metade de tudo que o Brasil produz em um ano.
Nessa analogia, Nvidia, Micron e outras fabricantes de chips seriam a loja que vende o material da obra. Segundo Estéfano, a bolsa pagou durante anos preços cada vez mais altos por essas empresas, porque o preço de uma ação reflete o que o mercado acredita que ela venderá no futuro, e não apenas o que vende hoje.
O gatilho do dia, na avaliação dele, foi político. Na terça-feira, os democratas venceram a eleição de meio de mandato nos Estados Unidos, e o mercado passou a considerar que o novo Congresso poderia trazer mais regras para a construção de data centers. Estéfano ressaltou que a possibilidade ainda é só uma dúvida: o Congresso nem tomou posse, mas a bolsa, disse ele, negocia a incerteza antes da lei.
A ordem da queda
Na quinta-feira, o dinheiro saiu primeiro dos chips. O índice de semicondutores caiu 12%, e o principal ETF do setor recuou 11%, a maior queda desde março de 2020. A Micron perdeu mais de 12% e a Nvidia, mais de 6%. Em seguida, a Nasdaq inteira caiu 5,5% e ficou mais de 11% abaixo do recorde registrado no mês passado. Como a correção é definida como queda superior a 10% desde o topo, o índice cruzou essa linha, conforme explicou Estéfano.
A queda também alcançou o Dow Jones, que reúne bancos, farmacêuticas e fabricantes de artigos esportivos, setores sem relação direta com chips. Para Estéfano, isso mostra que, quando o medo sobe, os investidores vendem o que conseguem, e não o que gostariam.
Wall Street está dividida. Peter Boockvar questiona o valor de US$ 1,2 trilhão e vê a possibilidade de o episódio marcar o começo do fim da festa da IA como ela é conhecida. Eric Johnston, da Cantor Fitzgerald, enxerga mudança enorme nas perspectivas para os investimentos. Larry Adam, da Raymond James, considera a venda sem critério uma oportunidade, e Rob Schein lembra que o Azure, a nuvem da Microsoft, cresceu 48% no último trimestre.
Estéfano afirmou não saber quem tem razão, e disse que os próprios especialistas também não sabem. Como lembrete histórico, citou o ano 2000: a internet de fato mudou o mundo, mas a Nasdaq levou 15 anos para voltar ao topo daquela época. Ele ressalvou que não está dizendo que o cenário é igual, e sim que uma tecnologia pode estar certa e o preço, errado, ao mesmo tempo.
Para o operador de mercado, Estéfano defendeu a disciplina de risco: definir quanto aceita perder, ajustar o tamanho da posição à volatilidade atual e encerrar as operações ao atingir o limite. Ele destacou que não recomenda compra nem venda e que operar envolve risco. Na avaliação dele, a pergunta que o dia deixou segue em aberto, e a conta, quase sempre, fica com quem entrou sem plano.


