Plano de Lara Resende prevê Selic a 7,5% em 12 meses e juros presos entre 3% e 5,5%
Segundo o Clube do Valor, proposta de um dos autores do Plano Real inclui conselho que coordenaria juros e contas públicas, e a história mostra riscos.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE CLUBE DO VALOR · 4 MIN
O economista André Lara Resende, um dos autores do Plano Real, formulou uma proposta para reduzir a taxa Selic dos atuais 13,75% ao ano para 7,5% em apenas 12 meses e, depois, mantê-la de forma permanente numa faixa entre 3% e 5,5%. Segundo o Globo, citado pelo gestor Ramiro Gomes Ferreira, do canal Clube do Valor, a ideia deve ser levada ao presidente Lula ainda nesta semana.
Para Ramiro, o plano é assustador, e o alerta central não está no tamanho do corte, mas em quem passa a decidir o juro. A proposta tem três peças: a queda da Selic com trajetória anunciada antecipadamente, o teto e o piso para a taxa (o piso seria a meta de inflação de 3% e o teto, 5,5%) e a criação de um conselho fiscal e monetário nacional. Esse órgão definiria metas coordenadas de juros e contas públicas para quatro ou cinco anos, o que, na avaliação do apresentador, tiraria a decisão do Banco Central e a entregaria a quem gasta o dinheiro público.
O diagnóstico e o remédio
O apresentador reconhece que o diagnóstico de Lara Resende está correto. A dívida bruta do país se aproxima de R$ 11 trilhões, equivalente a 82,5% do PIB, com custo médio de 12,68% ao ano. Isso representa cerca de R$ 1,4 trilhão em juros anuais, mais de 10% de tudo o que o país produz. Como esse custo cresce perto de 13% ao ano e o PIB nominal, perto de 7%, a dívida sobe quase 6% ao ano em relação ao PIB, mesmo sem aumento de gastos. Para Ramiro, o problema está no remédio, não na avaliação do quadro fiscal.
O próprio autor, segundo o apresentador, admite que o principal risco é a fuga de capitais e a desvalorização do real, que pressionariam combustíveis e importados. O plano prevê usar as reservas internacionais, hoje acima de US$ 350 bilhões, para conter o dólar. Ramiro lembra que o mercado já mostrou sensibilidade: em 26 de outubro, dia seguinte ao segundo turno, a bolsa caiu quase 14%, com o primeiro circuit breaker desde março de 2020, e o dólar subiu 8%.
O que a história ensina
O canal recorre a dois precedentes. Na Turquia, o presidente Erdogan trocou três presidentes do banco central em menos de dois anos e cortou os juros de 19% para 14% entre setembro e dezembro de 2021, com inflação acima de 21%. A lira perdeu 44% do valor contra o dólar em 2021, a inflação chegou a 83% em setembro de 2022 e depois a 85%, e o juro precisou subir até 50% em março de 2024. Hoje está em 36%, com inflação de 29%.
No Brasil, o canal cita 2011, quando o BC cortou a Selic de 12,5% para 12% após a então presidente Dilma Rousseff dizer que os juros deveriam cair. A taxa chegou a 7,25%, a inflação ficou perto de 6% em 2012 e 2013, e a Selic voltou a subir até 14,25% em julho de 2015, com inflação de 10,67% no ano. O PIB recuou 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016. Ramiro ressalva que a recessão teve várias causas, mas atribui parte dela ao corte forçado. O economista Sérgio Vale, da MB Associados, avaliou que algo semelhante já foi feito em 2012 e foi um desastre.
Cenário-base e o que isso significa para o investidor
Ramiro afirma que o Brasil não é a Turquia: a inflação aqui está em 4,58% em 12 meses, o Banco Central tem autonomia por lei desde 2021 e o mandato de Gabriel Galípolo vai até o fim de 2028. Segundo a Folha, integrantes da equipe econômica disseram que não há reunião formalizada, e o próprio Lara Resende admite que o ambiente institucional pode não comportar a implementação imediata. Por isso, o apresentador considera improvável que o plano avance. Seu cenário-base é de PIB parado, possível recessão em 2027 e 2028 e juro real alto por mais tempo.
Para o apresentador, a lição para o investidor é montar carteiras que resistam a diferentes cenários, com diversificação entre renda fixa pós-fixada, atrelada à inflação e prefixada, ações brasileiras e americanas e parcela em dólar, além de rebalanceamento periódico. Ele cita que, após o Plano Collor, o Ibovespa chegou a acumular alta de 304% acima da inflação em cinco anos para quem comprou no fundo do poço. Trata-se de avaliação do canal, não de recomendação do The X-Trader News.






