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Proposta de Lara Resende para cortar a Selic a 7,5% divide economistas e preocupa o mercado

Segundo o canal Investidor Sardinha, o diagnóstico sobre o peso dos juros é aceito por críticos, mas o remédio é contestado. O governo diz que não analisa a medida.

POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INVESTIDOR SARDINHA · 4 MIN

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A proposta do economista André Lara Resende de reduzir a taxa Selic para 7,5% por decisão anunciada do Banco Central abriu um debate intenso no mercado financeiro. Segundo o canal Investidor Sardinha, que reuniu a opinião de nove economistas, o governo não pretende implementar a ideia: o ministro da Economia, de acordo com o apresentador, disse que o governo não olha para o tema dessa maneira.

Lara Resende é um dos formuladores do Plano Real, foi diretor do Banco Central em 1985 e 1986 e presidiu o BNDES em 1998, no governo FHC. Para o apresentador, isso explica por que a proposta é levada a sério, mesmo por quem discorda dela. Ele lembra que o economista se declara liberal e que, em entrevista à Exame em 2018, disse que privatizaria todas as estatais.

No artigo publicado no Substack, Lara Resende propõe levar a Selic, hoje em 13,75%, a 7,5% em 12 meses. Os dois pontos percentuais acima de 5,5% seriam retirados depois. Ele sugere ainda um conselho fiscal e monetário nacional, que definiria metas fiscais e de juros para quatro a cinco anos, com faixa da Selic entre 3% e 5,5%. Segundo o apresentador, o próprio economista admitiu que o número de 7,5% foi um chute, sem conta por trás, e que o papel dele é pensar, não aplicar.

O diagnóstico: juros que consomem o orçamento

O ponto de partida é o custo da dívida. Segundo os números citados no vídeo, o país gasta R$ 1,4 trilhão por ano com juros da dívida bruta, o equivalente a 10,5% do PIB, e a dívida bruta chega a 82,5% do PIB. O déficit primário de 2025, de 0,4% do PIB, seria um dos menores do mundo. Segundo Lara Resende, é o peso dos juros que leva o déficit nominal a mais de 10% do PIB. Ele argumenta que a dívida cresce 12,7% ao ano pelos juros, enquanto o PIB nominal avança 7%.

O economista também afirma que o pagamento de juros transfere às pessoas que vivem de renda de títulos públicos cerca de oito vezes o que o governo gasta com o Bolsa Família. Ele diferencia o rentista do investidor e diz fazer parte do primeiro grupo. Segundo o apresentador, Lara Resende não defende o déficit: afirma que o governo gasta mal e critica gastos populistas e emendas parlamentares.

As críticas: risco fiscal, dólar e histórico

Segundo o apresentador, a maioria dos economistas ouvidos considera correto o diagnóstico, mas errado o remédio. O principal argumento é que o juro é consequência do risco fiscal, e que cortá-lo sem reduzir o risco seria tabelar o preço. Nessa leitura, a medida poderia levar à chamada dominância fiscal, com o Banco Central pressionado a financiar o Tesouro. Haveria ainda o risco de enfraquecer a autonomia do Banco Central.

O vídeo lista os efeitos esperados por esses economistas: alta do dólar, saída de capital estrangeiro, encarecimento de combustíveis, trigo e eletrônicos, e volta da inflação em poucos meses. Os críticos citam ainda que os US$ 350 bilhões em reservas não comprariam credibilidade, já que parte relevante não é líquida. Segundo o apresentador, 10% da dívida interna está nas mãos de estrangeiros e metade da dívida federal (49,3%) é composta por LFT, atrelada à Selic.

Os críticos recorrem a exemplos. Em 2012, a Selic caiu a 7,25%, a inflação chegou a 10,67% em 2015, o PIB recuou quase 7% em dois anos e os juros voltaram a 14,25%. Na Turquia, o corte de juros foi seguido por inflação de 85,5% em outubro de 2022. Na Argentina, a inflação foi de 211% em 2023. Segundo o apresentador, a diferença para o Japão, com dívida alta e inflação baixa, é que o país asiático tem poupança interna gigantesca e dívida quase toda em mãos japonesas.

O que isso significa para o investidor

O apresentador sustenta que Lara Resende não defende a Teoria Monetária Moderna (MMT), embora tenha se aproximado dela em livro de 2020. O artigo, segundo ele, não cita a sigla e se apoia na teoria fiscal do nível de preços, de John Cochrane, de Stanford. Para o canal, os poupadores seriam os maiores prejudicados por um corte forçado: 36 milhões de CPFs estão cadastrados no Tesouro e 50% da dívida pública está em fundos de pensão e previdência.

Como alternativa mais gradual, economistas ouvidos pelo canal sugerem ampliar a meta de inflação, o que daria ao Banco Central autônomo margem para reduzir os juros com menos ruído. Na avaliação do apresentador, o maior problema da proposta é o sinal que ela passa ao mercado, que poderia levar recursos para fora do país e pressionar o dólar. Ele observa ainda que a bolsa registrou queda expressiva desde a eleição de Lula e que o mercado está assustado.

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