Amazon decepciona com resultados "em linha" e ações caem cerca de 6% no after hours
Para Brent Thill, do Jefferies, os números não foram ruins, mas ficaram abaixo do que o mercado esperava, em meio a uma semana de más notícias entre as big techs.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BLOOMBERG TELEVISION · 3 MIN
As ações da Amazon recuaram cerca de 6% no after hours, após a divulgação do balanço, em uma reação que, segundo o analista Brent Thill, do Jefferies, reflete expectativas elevadas demais. Em entrevista à Bloomberg Television, ele afirmou que os resultados "não foram terríveis", mas que "não é o que ninguém esperava".
Thill, líder do setor de software e internet do banco, descreveu a receita total como em linha com o consenso. Na avaliação dele, o segmento de publicidade decepcionou, e o varejo de consumo ficou levemente abaixo do esperado, com 4,6 contra 5,1 projetados pelo mercado. O analista também disse que a empresa gastou em propriedades e equipamentos mais do que o previsto, segundo a descrição do programa.
O resultado se soma a uma sequência de notícias negativas no setor de tecnologia nos últimos dias, incluindo balanços de Google e Amazon. Para Thill, o mercado vive uma espécie de "mini timeout", depois de ter elevado demais as expectativas.
Nuvem cresce, mas abaixo do que investidores querem
O analista destacou que a AWS, divisão de computação em nuvem da Amazon, vai bem. A empresa indicou crescimento acima de 40% no futuro próximo, uma projeção que, nas palavras dele, "não é difícil de dar", já que o trimestre recém-encerrado ficou na casa de 37% a 39%. Thill citou ainda que a receita da AWS superou as estimativas em cerca de um ponto percentual, com a receita total crescendo 12%, em linha com Wall Street.
O ponto central da análise é o descompasso entre contratos e receita. Segundo Thill, a carteira de contratos (backlog) cresceu 154% no trimestre anterior, mas a receita não acompanha esse ritmo. Para ele, empresas de nuvem e de inteligência artificial têm dificuldade de converter o backlog contratado em receita na velocidade que os investidores desejam. Ele ressalvou que isso não significa que não conseguirão fazê-lo com o tempo.
A explicação, afirmou, passa por possíveis problemas na cadeia de suprimentos: as empresas não conseguem colocar capacidade e data centers em operação com rapidez. Thill lembrou que a Microsoft também disse que houve atrasos e citou um parceiro com cerca de US$ 5 bilhões em compromissos que não pôde ser colocado em operação. Segundo ele, essa é a principal preocupação dos investidores de tecnologia hoje, e o balanço da Amazon não trouxe evidências que a dissipem.
Comparação com Microsoft e Google
Thill comparou os modelos de negócio das grandes empresas de nuvem. Na avaliação dele, a Microsoft tem um negócio de margem alta que compensa outras áreas de margem baixa, enquanto a Amazon tem um varejo de margem menor que financia a nuvem, de margem maior. O analista disse que a Microsoft apresenta crescimento perto de 50% com margem de cerca de 50% e forte expansão do fluxo de caixa livre, enquanto Amazon e Google estão negativos nesse quesito. Ele chamou o quadro de "história de duas cidades".
A apresentadora lembrou que o Azure, da Microsoft, cresce 48% e que o Google Cloud dobrou, a partir de uma base diferente da Amazon, cuja nuvem segue ligeiramente abaixo do patamar de 40% que muitos investidores buscam.
Para o investidor, o recado de Thill é que o setor está em fase inicial de um grande ciclo de investimentos e que o retorno exigirá paciência. Ele considera as ações da Amazon baratas, a cerca de 10 vezes o EBITDA projetado, mas reconhece que o mercado hoje cobra execução mais elevada das gigantes de tecnologia, o que pode seguir pressionando a Nasdaq enquanto esses sinais não aparecerem.


