Suposto esquema de candidato "isca" no Alasca abre investigação criminal e pressiona campanha democrata
Segundo a Fox Business, reportagem do New York Times liga aliados de Mary Peltola a um segundo Dan Sullivan na cédula, e o Departamento de Justiça prepara intimações a grandes júris.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
Um suposto esquema para colocar na cédula do Alasca um segundo candidato chamado Dan Sullivan, com o objetivo de drenar votos do senador republicano em exercício, deflagrou uma investigação criminal agressiva e passou a dominar a reta final da disputa pelo Senado no estado, segundo reportagem da Fox Business.
De acordo com a apuração do New York Times citada na transmissão, operativos alinhados à democrata Mary Peltola trabalharam para que Dan J. Sullivan, o homônimo, atraísse votos do senador Dan Sullivan. Peltola e o comitê de campanha dos democratas para o Senado (DSCC) negam ter qualquer papel no esquema.
Trump pede renúncia e processo
O presidente Donald Trump afirmou que Peltola deveria abandonar a disputa e ser processada criminalmente. Segundo o relato da Fox, Trump também disse que as pessoas que participaram da articulação juraram não saber de nada e que, no fim, tratava-se de um esquema dos democratas. O senador Sullivan, por sua vez, pressiona a adversária a "vir a público" e a confessar, acusando-a de mentir há mais de um ano.
O DSCC rebateu e atribuiu aos republicanos uma tentativa de impulsionar a própria campanha. Segundo o porta-voz citado na transmissão, os republicanos teriam recrutado um preso para concorrer contra Peltola e gastado quase meio milhão de dólares para garantir uma vaga na cédula a um residente do Arizona. Peltola classificou o caso como "mais uma distração" e mais um desvio de foco.
Justiça, governo estadual e grandes júris
A Fox informou que a investigação do Departamento de Justiça se intensifica e que várias intimações a grandes júris devem ser expedidas nos próximos dias. O governador do estado também determinou que o departamento estadual de segurança pública apure se há base para acusações criminais ou civis. Separadamente, o Departamento de Justiça move ação contra o Alasca para impedir a certificação do resultado caso o senador Sullivan perca. Questionado sobre o processo, Trump disse ter sido ele quem mandou agir.
A senadora republicana Lisa Murkowski criticou a ação do Departamento de Justiça e escreveu, nas redes sociais, que o eleitorado do Alasca merece "a verdade honesta" de Peltola e de sua campanha. Para ela, o que vem à tona é um padrão de mentiras, acobertamento e engano.
O que dizem os analistas
O ex-presidente do Comitê Nacional Republicano Reince Priebus avaliou, na transmissão, que o episódio favorece o senador Sullivan por dar visibilidade ao tema e por mostrar, na visão dele, que Peltola mentiu. Ele lembrou que o Alasca usa votação por escolha ranqueada e disse que o efeito prático do candidato isca pode ser limitado, já que eleitores tenderiam a colocar o candidato conhecido em primeiro lugar.
O professor de direito Jonathan Turley afirmou que não é ilegal, por si só, incluir um candidato isca na cédula. Em sua avaliação, o risco jurídico está em declarações falsas sob juramento, em informações prestadas a autoridades estaduais e federais e em doações feitas por intermediários. Para ele, advogados da campanha viraram potenciais alvos ou testemunhas, e a tendência é de cooperação e de ampliação do caso, com possíveis questões de pressão sobre testemunhas e perjúrio.
Leitura para o investidor
A transmissão não trata de efeitos em bolsa, juros ou câmbio. O desfecho da disputa no Alasca, porém, soma-se ao cálculo de quem acompanha o equilíbrio de forças no Senado americano e seus efeitos sobre a pauta fiscal e tributária em Washington. A votação no estado encerra à meia-noite no horário da Costa Leste, e as urnas do restante do território fecham à 1h, o que pode alongar a apuração.


