DOJ revela operação contra fraude de US$ 32 milhões em auxílio estudantil com 'alunos fantasmas'
Cinco pessoas são acusadas e US$ 750 mil em criptomoedas apreendidos; governo diz que o esquema, ativo desde 2021, pode ter custado centenas de milhões de dólares aos contribuintes.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou os primeiros resultados da Operação Ghostbusters, uma ofensiva nacional contra um esquema de fraude no auxílio federal a estudantes. Cinco réus foram acusados e mais de US$ 750 mil em criptomoedas, ligados a uma rede associada a quenianos, foram apreendidos. Segundo as autoridades, é a primeira apreensão internacional desse tipo no Quênia.
O anúncio foi feito em coletiva em Alexandria, na Virgínia, pelo secretário-adjunto de Justiça Colin McDonald, da Divisão Nacional de Combate à Fraude. Segundo ele, investigadores acreditam que a fraude ocorre desde pelo menos 2021 e pode ter gerado perdas de várias centenas de milhões de dólares.
Como funciona o esquema
De acordo com as autoridades, criminosos roubam identidades de americanos que não frequentaram a faculdade e criam os chamados "alunos fantasmas". Com essas identidades, eles se matriculam em universidades e faculdades comunitárias e solicitam auxílio federal pelo formulário FAFSA. Depois de descontadas mensalidade e taxas, o saldo é depositado em contas controladas pelos fraudadores e enviado ao exterior, inclusive ao Quênia.
Segundo McDonald, os métodos são cada vez mais sofisticados: há uso de inteligência artificial para preencher inscrições e fazer trabalhos, além de pessoas recrutadas para aparecer em aulas por Zoom no lugar do aluno fantasma. As vítimas costumam descobrir o problema anos depois, ao receber a cobrança de um empréstimo que nunca contraíram.
Números da investigação
O FBI abriu 45 investigações em 26 escritórios regionais, e mais de 20 gabinetes de promotores federais participam do caso. A divisão cibernética do órgão identificou mais de 830 mil contas de auxílio estudantil potencialmente fraudulentas. Até agora, foram apurados mais de US$ 32 milhões em perdas efetivas, mas o FBI afirma acreditar que o total real seja substancialmente maior. Os cinco acusados respondem por perdas de cerca de US$ 2 milhões.
Em Nebraska, o queniano Francis McGambi foi indiciado por furto de dinheiro do governo e roubo de identidade qualificado. Em Nova Jersey, três pessoas foram acusadas de conspiração para fraude eletrônica, como supostos laranjas em um esquema com centenas de alunos fantasmas e mais de US$ 1,3 milhão em recursos.
Prevenção e leitura política
O subsecretário de Educação, Nicholas Kent, afirmou que o governo Trump reativou medidas de detecção de fraude que, segundo ele, haviam sido desligadas na gestão Biden. A exigência de documento de identidade no FAFSA teria resultado em economia de quase US$ 600 milhões em seis meses, e o departamento diz ter evitado mais de US$ 2 bilhões em tentativas de fraude. Kent lembrou que a carteira federal de empréstimos estudantis soma cerca de US$ 1,7 trilhão.
Andrew Ferguson, da força-tarefa da Casa Branca, defendeu o uso de tecnologia para detectar padrões suspeitos sem ampliar a burocracia. Segundo ele, o dinheiro dos impostos não pode enriquecer fraudadores no exterior. As avaliações sobre a responsabilidade da gestão anterior partem de integrantes do governo.
Para o investidor, o caso reforça o debate sobre controle de gastos e a integridade de programas bilionários, tema ligado às contas públicas americanas. As autoridades dizem que o esforço continua, com mais de 40 investigações abertas e uma equipe já enviada ao Quênia. Restituição e confisco só serão determinados ao fim dos processos, se as acusações forem comprovadas.







