Itaú vê juros altos e crédito restrito como desafios para 2027
CEO do Itaú Unibanco diz que o banco está mais preparado para um ciclo adverso, enquanto as projeções apontam Selic perto de 12% ao fim do ano.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE MONEY TIMES · 3 MIN

O Itaú Unibanco acendeu um alerta para 2027. Em coletiva sobre o resultado do 3º trimestre, o CEO Milton Maluhy Filho afirmou que o banco se considera mais preparado para um ciclo econômico adverso, segundo o Money Times.
Entre os obstáculos para o crédito, Maluhy citou taxas de juros que devem permanecer elevadas durante mais tempo, um ritmo de expansão mais fraco e a chance de o desemprego subir. Ainda de acordo com o Money Times, as famílias devem ter um comprometimento maior da renda, e as companhias precisarão renegociar seus débitos pagando taxas mais caras.
O problema não se restringe ao setor bancário. Segundo a Revista Oeste, Pedro Ricco, CEO da Delta Global Bank, avalia que, com o crédito mais caro, a margem dos produtores pode cair entre 10% e 15%. A publicação aponta juros altos, crédito rural caro e incerteza climática como riscos ao agro em 2027 e lembra que o Brasil importa grande parte dos fertilizantes, o que torna a compra de insumos mais pressionada quando o financiamento fica caro.
O pano de fundo é fiscal. De acordo com o InfoMoney, quatro assuntos vão moldar a economia em 2027: o equilíbrio das contas públicas, os juros elevados, a reforma tributária e as mudanças no mercado de trabalho. A dívida bruta, perto de 83% do PIB, continua em alta, e o mercado espera que o novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva seja guiado por uma política de gastos.
As projeções citadas pelo InfoMoney para 2027 são PIB de cerca de 1,3%, inflação de cerca de 4,3% e Selic de aproximadamente 12% ao fim do ano. O quadro combina crescimento fraco com juros ainda elevados, uma combinação que tende a pesar sobre quem toma empréstimo.
Em jogo está a capacidade de pagamento de famílias e empresas e, com ela, a qualidade da carteira de crédito dos bancos.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha o ITUB4 e outros papéis ligados ao crédito, o alerta sugere que inadimplência, provisões para perdas e demanda por empréstimos podem ganhar peso nas próximas apresentações de resultados, pois essas variáveis afetam diretamente o lucro dos bancos. Para companhias endividadas e para o agronegócio, um refinanciamento mais caro é o ponto de atenção mais imediato. Esta matéria não constitui recomendação de compra ou venda e não projeta cotações.



