Bolsa em baixa faz vários ativos superarem a Selic em proventos, aponta levantamento
Na semana encerrada em 30 de outubro, o dividend yield teórico de 12 meses de vários papéis ficou acima dos 13,75% ao ano da Selic, segundo o Money Times.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE MONEY TIMES · 3 MIN

Na semana encerrada em 30 de outubro, as ações brasileiras tiveram forte queda, e o movimento produziu um efeito que chama a atenção de quem acompanha proventos: ao fim do período, o dividend yield teórico de 12 meses de vários ativos ficou acima da Selic, hoje em 13,75% ao ano. A informação consta de levantamento da Elos Ayta, empresa de inteligência de dados financeiros, divulgado pelo Money Times.
Para entender o número, vale lembrar o que é o dividend yield teórico. Trata-se da relação entre os proventos distribuídos nos últimos doze meses e o preço atual da ação. Quando o preço cai e os pagamentos se mantêm, a razão sobe, e um papel que rendia pouco em proventos pode passar a render mais do que a taxa básica de juros. É esse mecanismo que o título do Money Times sugere ao falar em mercado acionário em baixa.
Segundo o Money Times, o recorte do levantamento reúne 19 ações presentes em carteiras do Ibovespa, do IDIV e de Small Caps. São referências distintas: o índice principal da bolsa, a carteira formada por ações selecionadas pelo histórico de dividendos e o grupo de companhias menores. Ao cobrir mais de um recorte do mercado, a pesquisa indica que o fenômeno não se limita a uma única faixa de empresas.
Para o leitor deste jornal, que defende responsabilidade fiscal e livre mercado, a comparação com a Selic lembra que a taxa básica funciona como custo de oportunidade de qualquer investimento no país. Com a Selic em 13,75% ao ano, quem aplica em renda variável precisa de uma razão para aceitar a volatilidade de preço, e a comparação de proventos é apenas uma das variáveis dessa conta.
Há, porém, uma leitura cautelosa a fazer. O dividend yield teórico é calculado sobre proventos já pagos, e não é promessa de pagamentos futuros. Um yield elevado também pode refletir uma desvalorização que o mercado já incorporou a riscos específicos da companhia, algo que o número isolado não revela. Por isso, o dado serve como ponto de partida para a análise, e não como conclusão.
O que muda para o investidor
Na prática, o levantamento altera a forma como se compara a Bolsa com a renda fixa, ao menos no recorte de proventos. Para esses papéis, a remuneração em dividendos supera a taxa básica, mas isso não define o retorno total, que também depende da variação do preço, do prazo de investimento e do perfil de risco de cada pessoa. O dado não permite prever cotações e exige cuidado para não confundir rendimento calculado com ganho garantido.



