ISA Energia infla lucro com ganho contábil no 3º tri; ajuste pró-forma marca alta de 14%
Participações ligadas à Axia geram um ganho no balanço que multiplica o lucro por mais de três; descontando esse efeito, o avanço cai para 14%, chegando a R$625 milhões.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 2 MIN

Segundo o InfoMoney, o lucro líquido da ISA Energia no terceiro trimestre somou R$1,9 bilhão, valor que supera em mais de três vezes o montante de um ano antes. O motivo central, de acordo com a mesma fonte, é de natureza contábil: houve o desfazimento do cruzamento de participações com a Axia Energia.
A própria companhia classifica o movimento como ganho de caráter contábil. Conforme a Exame, essa receita não circula pelo caixa da transmissora e, por determinação da empresa, foi deixada de fora do cálculo de dividendos. Para quem acompanha a geração de caixa, a diferença é relevante, porque o número cheio do lucro não representa, por si só, recursos disponíveis para distribuição aos acionistas.
Descontado o efeito, o lucro pró-forma avançou 14%, atingindo R$625 milhões. Já o Ebitda chegou a R$3,19 bilhões, um salto de 259% frente ao mesmo período anterior, e, na leitura pró-forma, o indicador cresceu 41%, até R$1,25 bilhão. Os dois conjuntos de números contam histórias diferentes, e vale olhar ambos antes de tirar conclusões.
Ao explicar o desempenho recorrente, executivos citaram novas linhas e subestações em operação, a consolidação de um grande ativo, o reajuste tarifário e o controle de custos, segundo a Money Times. Os números da companhia foram apresentados por executivos à agência Reuters, conforme InfoMoney.
Há ainda uma divergência sobre o código de negociação. InfoMoney cita o papel ISAE3, enquanto Money Times e Exame citam ISAE4. Antes de qualquer conclusão, vale confirmar qual ação corresponde aos dados divulgados.
O que muda para o investidor
O resultado reforça um cuidado com o lucro contábil isolado. Ganhos desse tipo distorcem a comparação com trimestres anteriores e não indicam, necessariamente, mais força da operação. Para avaliar a tendência recorrente, o dado mais útil tende a ser o pró-forma, que mostra crescimento de 14% no lucro e de 41% no Ebitda ajustado. Como o ganho ficou fora da conta de dividendos, a leitura de renda também precisa separar o que é caixa do que é efeito contábil. Como o mercado vai interpretar essa diferença, e se isso se refletirá nas cotações, é uma questão em aberto, e esta reportagem não traz expectativas de preço.

