Tesouro vê dívida em 83,7% do PIB em 2026 e pico adiado para 2030
Documento oficial registra alta de 5,1 pontos percentuais da dívida bruta em um ano, e juros altos e a Selic passam a pesar mais no orçamento até 2030
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE DIÁRIO DO PODER · 2 MIN

Segundo Diário do Poder, o Tesouro projeta que a dívida bruta do governo geral chegue a 83,7% do PIB no fim de 2026, ante 78,6% em 2025. A alta de 5,1 pontos percentuais em um único ano consta de documento oficial publicado em 3 de novembro, e é o ponto de partida para entender o recado das contas públicas.
O cenário também aparece em outras fontes. Dados do Banco Central mostram dívida bruta de 82,9% do PIB, ou R$ 11,1 trilhões, em setembro. A CNI já havia estimado 83,7% para o mesmo horizonte no Informe Conjuntural de 28 de outubro. Antes disso, um documento de 30 de junho previa 83,5% do PIB para 2026 e teto de 87,9% para 2029.
O mesmo levantamento estima o pico da dívida bruta em 89,7% do PIB em 2030. Em outras palavras, segundo Diário do Poder, o pico fiscal foi postergado e fica mais alto do que o previsto anteriormente.
O custo do dinheiro pesa diretamente nessa conta. Os juros nominais somaram R$ 1,205 trilhão em 12 meses, o equivalente a 8,99% do PIB. Segundo o levantamento, cada 1 ponto percentual de Selic acrescenta R$ 78,3 bilhões em gastos em 2027, e o acumulado de 2027 a 2030 chega a R$ 476 bilhões.
Do lado da receita, cada 1% de crescimento econômico adiciona R$ 16,6 bilhões, e cada 1 ponto percentual de inflação, R$ 15 bilhões. Mario Sergio Telles afirma que o déficit primário somado a juros altos eleva a dívida em mais de 5 pontos percentuais do PIB em um ano. O resultado é um equilíbrio sensível a três variáveis ao mesmo tempo: juros, crescimento e inflação.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha bolsa, Nasdaq, juros e dólar, o ponto central é que a trajetória da dívida tende a entrar na precificação do risco fiscal, sobretudo porque a conta de juros cresce junto com o endividamento. Se a estimativa de 89,7% do PIB em 2030 se confirmar, a sensibilidade a cada movimento da Selic e a qualquer revisão das projeções oficiais passa a ser acompanhada de perto. Esta matéria não traz recomendação de compra ou venda e não projeta preços: registra a estimativa oficial e as sensibilidades apontadas, cabendo ao leitor avaliar o impacto na própria carteira.


