Queda de jato particular na Flórida deixa nove mortos e investigação mira clima e decisões de voo
Segundo Fox Business, tempestade intensa, gelo e turbulência estão no centro da apuração do acidente que matou nove pessoas, entre elas uma copiloto de 20 anos.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
Nove vítimas da queda de um jato particular na Flórida, no fim de semana, foram identificadas por seus familiares, segundo a Fox Business. Entre elas estão a copiloto, de 20 anos, um executivo do setor de tecnologia e sua esposa, Helen, além de duas crianças pequenas, a babá da família e dois amigos. Também morreu o piloto em comando.
As condições meteorológicas são o foco central da investigação. Um representante da autoridade responsável pela apuração afirmou que, na superfície, o tempo já era conhecido, mas que é preciso determinar o que havia na altitude de 35 mil pés (cerca de 10,7 mil metros).
Tempestade, gelo e turbulência
Segundo o sistema de tráfego aéreo citado na reportagem, algumas células de tempestade que a aeronave possivelmente atravessaria teriam atingido forte intensidade e formação de gelo. O especialista em aviação Randy Klatt, entrevistado pelo canal, explicou que a regra número um dos pilotos é evitar esse tipo de situação e, sempre que possível, manter cerca de 20 milhas de distância de grandes tempestades.
De acordo com Klatt, a tripulação trabalhava com o controle de tráfego aéreo para obter vetores de desvio e tinha noção de onde estava o pior do fenômeno. O último pedido feito ao controle foi para subir e, após relatar turbulência moderada, a tripulação teria pensado em ganhar alguns milhares de pés, até 37 mil pés, em busca de um voo mais suave. Ele observou que a aeronave dispunha de radar meteorológico para identificar células e tentar contorná-las.
O que se sabe sobre a rota
O órgão investigador de acidentes (NTSB) deve examinar como o controle de tráfego e os pilotos escolheram a rota e por que não contornaram a tempestade. Pelas animações da trajetória, a tripulação tentou passar por cima da formação. Klatt disse que jatos desse porte conseguem voar mais alto que o topo de muitas tempestades, mas não acima de todas. Ele afirmou não saber qual era a altura exata do topo da tempestade e acreditar que o NTSB ainda não definiu isso.
Pelos dados de radar e pela trajetória, na avaliação de Klatt, o jato parece ter atravessado o centro de uma célula menor, embora a tripulação provavelmente tentasse sobrevoá-la. Ele explicou que essas células podem crescer rapidamente e ganhar milhares de pés com o calor e a umidade disponíveis na Flórida. Para o especialista, a tripulação pode ter julgado possível passar por cima e, no fim, não conseguiu, mas ele ressaltou que isso é especulação.
Experiência e perda de controle
Há atenção também à copiloto, de 20 anos, que tinha licença de piloto e já havia voado nessa aeronave antes de trabalhar na empresa de aviação. Segundo Klatt, a voz dela foi ouvida nas comunicações, o que indica que era a piloto monitorando, enquanto o comandante, no assento da esquerda, pilotava. Ele destacou que a coordenação da tripulação é vital e disse não saber se o piloto automático estava ligado, o que pode ter grande efeito no resultado.
O especialista explicou que, se houvesse acúmulo de gelo a ponto de o piloto automático não conseguir mais manter altitude e velocidade, o sistema se desconectaria e os pilotos teriam de assumir imediatamente, o que seria uma surpresa. Segundo ele, a aeronave saiu de voo estável, teve uma leve subida e entrou em descida imediata, algo abrupto e incomum. A investigação deve ganhar ritmo nos próximos dias.
Para o mercado, o episódio não traz, por ora, efeitos mensuráveis sobre bolsa, juros ou dólar. Para o setor de aviação executiva, porém, as conclusões do NTSB sobre clima, procedimentos de rota e coordenação de tripulação tendem a ser acompanhadas de perto.






