Itaú lucra R$ 12,6 bi no 3T26, mas fica abaixo de parte das projeções de analistas
Lucro cresce 6,7% na comparação anual, mas fontes divergem sobre o consenso, e atrasos de MPMEs voltam a subir enquanto LATAM eleva projeções.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE SEU DINHEIRO · 4 MIN

Segundo o Seu Dinheiro, o lucro recorrente do Itaú Unibanco (ITUB4) chegou a R$ 12,6 bilhões no 3T26, um avanço de 6,7% na base anual e de 2,5% frente ao trimestre imediatamente anterior. O número, porém, ficou aquém da estimativa de parte do mercado, que a publicação situou em R$ 12,714 bilhões pelo consenso da Bloomberg.
A leitura não é unânime. Já a Bloomberg Línea mostra que o resultado esteve alinhado às expectativas compiladas pela mesma instituição, de R$ 12,63 bilhões, ao passo que o lucro recorrente gerencial atingiu R$ 12,617 bilhões, com alta de 6,2%. Os dois veículos trabalham com valores próximos, mas chegam a conclusões opostas sobre o desempenho em relação às expectativas.
Mesmo na versão mais favorável, o ritmo perdeu força ao longo do ano. De acordo com a Bloomberg Línea, a expansão do lucro recorrente foi de 7,8% no segundo trimestre, depois de ter atingido 10,4% no início do ano, e caiu para 6,2% no terceiro. O relatório também acende um alerta na carteira: a parcela em atraso entre as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) voltou a crescer no período.
No mercado, o ADR do banco na Bolsa de Nova York recuou 0,14%, para US$ 7,04, após o fechamento do pregão regular, de acordo com a Bloomberg Línea. Antes disso, durante o pregão regular, a ação tinha encerrado a US$ 7,05, com recuo de 1,67%.
O desempenho do banco contrasta com o da BB Seguridade (BBSE3). Segundo o Money Times, a companhia somou R$ 2,432 bilhões de lucro recorrente no 3T, com queda de 5,1% ante um ano antes e salto de 13% em relação ao trimestre precedente. Em nove meses, o lucro acumulado chegou a R$ 6,804 bilhões, em patamar praticamente igual ao do ano anterior, com variação positiva de 0,1%. Quem puxou o recuo na comparação anual foi principalmente a Brasilseg: o resultado caiu R$ 101,2 milhões por prêmios ganhos menores, índice combinado maior e menor resultado financeiro, além de R$ 58,9 milhões a menos na BB Corretora.
No transporte aéreo, a LATAM Airlines também cresceu no período: conforme o Times Brasil, a receita operacional chegou a US$ 4,567 bilhões, com ganho de 18,4%, enquanto o lucro líquido somou US$ 441 milhões, com elevação de 16,3%. Já para o exercício, a empresa revisou para cima a expectativa de faturamento, que agora deve ficar entre US$ 17,6 e US$ 17,8 bilhões, e fixou o Ebitda ajustado anual na faixa de US$ 3,9 a US$ 4,05 bilhões. Em contrapartida, o combustível pesa no caixa: o preço médio subiu 52,1% na comparação com o 3T de 2025, e o efeito é calculado em cerca de US$ 520 milhões. Ricardo Bottas, CFO da empresa, afirmou que esse valor considera apenas o preço do combustível e não inclui o maior consumo associado à expansão da malha.
O conjunto dos dados mostra um cenário em que a receita de uma companhia exposta a custos de combustível cresce com força, enquanto, no setor financeiro, a discussão se concentra na qualidade do crédito e na sustentação dos resultados.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha o Itaú, o dado mais relevante é menos o número cheio do trimestre e mais a trajetória: a desaceleração do lucro ao longo de 2026 e a alta dos atrasos entre MPMEs são os pontos que o mercado tende a observar nos próximos balanços. Com leituras divergentes sobre o consenso, a ação segue sensível à percepção sobre a qualidade da carteira de crédito, e os dados disponíveis não permitem estimar a direção dos preços. A comparação com a BB Seguridade e a LATAM também indica que o desempenho de cada companhia depende de fatores específicos, como sinistralidade, resultado financeiro e custo de combustível, e não apenas do ciclo geral da bolsa.


