Keane: Irã age como predador e diplomacia de seis meses e meio não produziu resultado, diz analista
Em entrevista à Fox Business, general aposentado defende pôr o regime iraniano 'fora do negócio' e afirma que Teerã descumpriria qualquer acordo.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
O general aposentado de quatro estrelas Jack Keane, analista sênior de estratégia da Fox, afirmou que o regime do Irã continuará sendo "um predador" enquanto existir e defendeu que os Estados Unidos e seus aliados trabalhem para tirá-lo do poder. A avaliação foi dada em entrevista ao programa "Saturday in America", exibido pela Fox Business, depois que o líder supremo iraniano emitiu uma nova ameaça contra Washington e Israel.
Segundo a apresentadora, o aiatolá ordenou que suas Forças Armadas coloquem alvos americanos e israelenses ao alcance de ataques e disse que qualquer ofensiva contra o Irã terá uma resposta "geograficamente irrestrita", ou seja, sem limite ao Oriente Médio. A apresentadora também citou relatos de uma reunião entre o presidente Donald Trump e comandantes militares seniores. Trump teria dito repetidamente que ataques ao Irã continuariam depois das eleições de meio de mandato, o que alimenta a dúvida sobre uma retomada iminente das hostilidades.
Keane classificou a retórica de Teerã como "muito barulho" e disse que o Irã de fato retaliaria se fosse atacado. Na avaliação dele, porém, isso não convence Trump nem o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. O analista afirmou que o argumento teve efeito sobre os sauditas e os Estados do Golfo, que, em ocasiões anteriores, pediram ao presidente que não avançasse para grandes operações de combate.
Mensagem aos sauditas e balanço da diplomacia
Keane disse que sua mensagem aos sauditas, que lideram esse esforço, é clara: os Estados Unidos protegem o país de modo não oficial, com o "guarda-chuva nuclear", desde o pós-Segunda Guerra Mundial. Ele lembrou que, quando a região estava em chamas, quem foi até lá e derramou sangue foram os americanos. Segundo o general, os iranianos mataram muito mais americanos do que integrantes de países do Golfo, e citou o ataque a uma embaixada, o ataque a quartéis, cerca de 300 ataques a bases durante o governo Biden, bombas improvisadas no Iraque que mataram centenas de soldados e uma campanha de dez anos de sequestros.
O analista admitiu custos: haveria baixas e danos a parte da infraestrutura petrolífera dos sauditas, mas, em sua avaliação, não um número alto de mortes nem a devastação do setor de petróleo e gás, porque EUA e aliados teriam capacidade de defesa adequada e capacidade ofensiva para neutralizar boa parte da capacidade de retaliação iraniana. Para ele, manter o status quo é "ir em busca da derrota".
Sobre o contato atribuído ao vice-presidente JD Vance com um integrante da linha dura iraniana para tentar reabrir negociações de paz, a apresentadora perguntou se os EUA retomariam a ofensiva. Keane respondeu com um balanço de seis meses e meio de esforço diplomático: o Irã não é sério em fechar um acordo relevante e, mesmo que assinasse um, não cumpriria. Ele também criticou a ideia de que seria preciso transferir bilhões de dólares ao país para ajudá-lo a se recuperar, o que, segundo ele, não faz sentido algum. Para o general, a negociação deixa "nada a mostrar" e apenas empurraria o problema ao próximo governo, algo que Trump, na leitura do analista, não pretende fazer.
O que observar para o mercado
As declarações são opinião de um analista e não indicam, por si, decisão do governo americano. Ainda assim, a combinação de ameaças iranianas, relatos de reuniões militares e a possibilidade de retomada de ações após as eleições de meio de mandato elevam a incerteza geopolítica em uma região central para o petróleo, tema que costuma repercutir em preços de energia, inflação, juros, dólar e bolsas. Keane também mencionou a possibilidade de danos à infraestrutura petrolífera saudita em um eventual conflito, ainda que a transcrição não traga números de mercado.
Para o investidor, o ponto central é acompanhar se o canal de negociação atribuído a Vance avança ou se a Casa Branca opta pela via militar. Keane defende que a segunda alternativa seria o caminho para uma paz duradoura, enquanto a primeira, em sua visão, seria uma solução "perdedora".







