Copom mantém Selic em 13,75% por 7 a 0, e dívida pública chega a R$ 11 trilhões
Brasil tem o maior juro real entre as 40 maiores economias, segundo levantamento citado por Estéfano Santos, da X-Trader TV, que explica por que o corte não vem no grito.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE X-TRADER TV · 3 MIN
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central interrompeu a sequência de cortes e manteve a Selic em 13,75% ao ano, por unanimidade, em decisão tomada na quarta-feira, 4 de novembro. O placar de 7 a 0 frustrou quem esperava o sexto corte consecutivo.
Segundo Estéfano Santos, fundador da X-Trader e trader de Nasdaq Futures há mais de 10 anos, o resultado chama atenção por um detalhe: o presidente do Banco Central foi indicado pelo presidente Lula, que já criticou publicamente os juros altos. Mesmo assim, nenhum dos sete votou pelo corte.
O peso do juro no bolso e nas contas
Em vídeo na X-Trader TV, Estéfano lembra que o brasileiro sente a Selic pelo que vem em cima dela. O rotativo do cartão de crédito está em 451% ao ano (a lei limita o total de juros ao valor da dívida original). O país tem 84 milhões de pessoas com contas atrasadas e 9,3 milhões de empresas na mesma situação, ambos recordes, conforme os números citados por ele.
No ranking de juros reais (a taxa descontada a inflação) das 40 maiores economias, o Brasil lidera com 9,49%. Na sequência aparecem Turquia (7,77%), Argentina (6,80%) e Rússia (6,57%). Estados Unidos (0,46%) e Alemanha (0,31%) ficam bem abaixo, e o Japão tem taxa negativa.
Estéfano afirma que cada ponto percentual a menos na Selic economiza mais de R$ 60 bilhões por ano nas contas públicas. Já a dívida pública chegou a R$ 11 trilhões, quase 83% do PIB, contra 71,7% no fim de 2022. Só de juros em 12 meses, a conta passa de R$ 5.000 por brasileiro, segundo ele.
Por que cortar na marra não funciona
Para Estéfano, o próprio Brasil já tentou forçar juros baixos. Em outubro de 2012, a Selic chegou a 7,25%, então a menor da história. A inflação voltou, atingiu 10,67% em 2015, e a taxa subiu a 14,25%. Ele ressalva que gastos públicos e crise política também pesaram.
O caso turco, diz Estéfano, é mais extremo: o governo queria juro baixo de qualquer jeito, o Banco Central cortou com a inflação subindo, a moeda derreteu e a inflação oficial chegou a 85,5% em outubro de 2022. O juro precisou subir até 50%, e a Turquia hoje tem o segundo maior juro real do ranking. Ele pondera que a dívida turca tem muito mais dólar que a brasileira.
A roda do medo e quem recebe
Na avaliação de Estéfano, o Brasil entrou numa lógica parecida com a do rotativo: paga parte da fatura e o restante vira dívida. Ele cita a reação do mercado em 26 de outubro, dia seguinte ao segundo turno, quando a bolsa caiu quase 14%, a maior queda desde a pandemia, com o pregão interrompido, e o dólar subiu 8%, a R$ 5,40. Analistas, segundo ele, apontaram receio com as contas públicas.
O ciclo descrito: dólar sobe, a inflação acompanha, o Banco Central não consegue cortar, o juro fica alto, a dívida cresce, o medo aumenta e o dólar sobe de novo.
Na dívida interna do governo federal, os bancos e instituições financeiras ficam com a maior fatia. Fundos de investimento recebem 23%, a previdência 22% e estrangeiros quase 10%. O Tesouro Direto, com quase 4 milhões de pessoas, responde por 3%. Para Estéfano, o mesmo juro que esmaga um lado paga o outro. A conclusão dele: juro não cai no grito, cai quando quem empresta acredita que vai receber.


